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Justiça Tardia: O Retorno Triunfal de “Coyote vs. Acme” e o Absurdo de Hollywood

Justiça Tardia: O Retorno Triunfal de “Coyote vs. Acme” e o Absurdo de Hollywood

24 de agosto de 2026

Quando a Warner Bros. Discovery anunciou o engavetamento de Coyote vs. Acme para abater US$ 30 milhões em impostos, a decisão soou como uma piada ácida digna do próprio desenho animado: a grande corporação puxando o tapete do seu protagonista mais azarado, o que os executivos não previram foi que, pela primeira vez na história da cultura pop, o público e a comunidade cinematográfica se uniriam para impedir que a bigorna corporativa esmagasse a arte. 

Resgatado pela distribuidora Ketchup Entertainment após uma ruidosa comoção pública, o filme de Dave Green não chega aos cinemas apenas como mero entretenimento, mas como uma martelada em defesa do cinema, é o melhor? O filme é sensacional!

Em um mundo no estilo “Uma Cilada para Roger Rabbit”, humanos e personagens de desenho animado coexistem, Wile E. Coyote toma sua decisão mais severa: Após décadas sofrendo com explosões, quedas de penhascos e catapultas defeituosas, ele decide processar a ACME Corporation. 

Para representá-lo, o Coyote contrata Kevin Avery (Will Forte em atuação inspirada), um advogado azarado de outdoors em Albuquerque, do outro lado do tribunal está o intimidador defensor da ACME, interpretado por John Cena, que equilibra com maestria o humor físico com a vilania corporativa.

A direção de Dave Green captura com perfeição a essência da era de ouro da animação, a mistura de live-action com animação 2D/3D tradicional não tenta “modernizar” o Coyote com visual fofinho ou hiper-realista; ele continua sendo o mesmo personagem expressivo, mudo e incansável.

O filme mantêm o ritmo dos curtas clássicos: gags visuais em sequência, referências densas aos Looney Tunes (que fazem participações pontuais durante o filme) e uma edição que respeita o timing de comédia do desenho.

O filme é levemente subversivo: critica a exploração corporativa, a cultura do “usuário frequente” de produtos defeituosos e a lógica de lucro acima de tudo, sem perder o espírito anárquico dos desenhos, há emoção genuína no vínculo entre os protagonistas e uma reflexão sobre persistência e o que significa “vencer”. 

A existência de Coyote vs. Acme nas telas é uma vitória histórica, o filme funciona em duas camadas paralelas: para as crianças, é uma comédia pastelão vibrante, inteligente e extremamente divertida; para os adultos e entusiastas do cinema, é uma sátira mordaz sobre o corporativismo predatório que quase o destruiu.

Coyote vs. Acme é uma das melhores misturas de live-action e animação dos últimos anos e, para muitos, o melhor filme de Looney Tunes em décadas, é engraçado, inteligente, visualmente inventivo e surpreendentemente afetivo, funciona tanto para fãs nostálgicos quanto para quem nunca viu uma bigorna cair na cabeça de ninguém.

Depois de quase desaparecer, o filme merece a vitória. 

Confira o trailer:

Nota 5/5

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