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MACACO TIÃO E OUTROS ANIMAIS QUE JÁ RECEBERAM VOTOS NAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS

MACACO TIÃO E OUTROS ANIMAIS QUE JÁ RECEBERAM VOTOS NAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS

11 de agosto de 2026

Antes da consolidação da urna eletrônica no Brasil, a votação por cédula de papel permitia que o eleitorado manifestasse seu descontentamento com a classe política de forma debochada e criativa. O ato de escrever o nome de animais nas cédulas eleitorais tornou-se uma das formas mais famosas de voto de protesto na história do país, transformando personagens do folclore popular em verdadeiros fenômenos das urnas.

O caso mais emblemático do país ocorreu nas eleições municipais do Rio de Janeiro em 1988, quando o Macaco Tião, um chimpanzé famoso do Zoológico do Rio, foi “lançado” como candidato à prefeitura pelo humorístico Casseta & Planeta. O animal alcançou a impressionante marca de cerca de 400 mil votos, o que o colocaria em terceiro lugar no pleito, tornando-se inclusive reconhecido pelo Guinness Book como o chimpanzé mais votado do mundo.

A trajetória de outros “candidatos” do reino animal

A prática do voto de protesto em animais não começou com Tião e possui um histórico marcante em diferentes regiões e épocas do Brasil:

 Rinoceronte Cacareco (São Paulo, 1959): Uma fêmea de rinoceronte do Zoológico de São Paulo recebeu cerca de 100 mil votos para o cargo de vereador da capital paulista. A candidatura foi articulada como protesto contra a escassez de alimentos e o custo de vida, superando com folga a votação de todos os partidos oficiais da época.

 Bode Cheiroso (Pernambuco, 1955): Na cidade de Jaboatão dos Guararapes, um bode famoso que perambulava pelas ruas da cidade recebeu milhares de votos para a Câmara Municipal como forma de repúdio à corrupção local.

 Bode Ioiô (Ceará, 1922): Em Fortaleza, o célebre bode Ioiô, conhecido por andar pelo centro da cidade e frequentar cafés com os moradores, foi eleito vereador de forma folclórica após a população preencher seu nome em massa nas cédulas manuais.

O fim dos votos em animais e a chegada da tecnologia

Por determinação da legislação eleitoral, todos os votos destinados a candidatos inexistentes, animais ou objetos sempre foram anulados pela Justiça Eleitoral e contabilizados apenas como votos nulos. No entanto, o expressivo volume de sufrágios conquistado por esses personagens evidenciava o nível de desilusão da população com os concorrentes reais de cada pleito.

Com a implementação da urna eletrônica a partir de 1996, o sistema de votação por digitação numérica eliminou a possibilidade de escrever nomes livres nas cédulas. O avanço tecnológico encerrou a era dos “candidatos animais” no Brasil, mas a memória do Macaco Tião, de Cacareco e de outros personagens permanece como um capítulo curioso da história política e cultural brasileira.

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