Esqueça o charme de Indiana Jones ou as piadas de Brendan Fraser, “A Maldição da Múmia”, que estreia nesta quinta-feira (16) sob a batuta de Lee Cronin (*A Morte do Demônio: A Ascensão*), é um mergulho sem fôlego em um horror doméstico e corporal que deve dividir o público entre o choque e a admiração técnica.
A trama gira em torno da tragédia da família de Charlie Cannon (interpretado por Jack Reynor), um jornalista cuja filha, Katie (Natalie Grace), desaparece misteriosamente no deserto egípcio, oito anos depois, quando a esperança já era um cadáver, a menina é “desenterrada” de uma tumba milenar e devolvida à família, o que começa como um milagre de Páscoa rapidamente apodrece.
Cronin, mestre em transformar laços familiares em fontes de pavor, utiliza o retorno de Katie para questionar: o que realmente volta quando perturbamos o descanso do que é sagrado? A “múmia” aqui não é um monstro cheio de ataduras perseguindo arqueólogos, mas uma força de natureza pútrida que habita o corpo de uma criança.

Se em seu trabalho anterior Cronin já havia mostrado apreço pelo sangue, aqui ele flerta com o “gore” mais extremo, a maquiagem e os efeitos práticos superam o CGI, entregando cenas que desafiam o estômago do espectador, ele esmiuçou o “repugnante”, no sentido mais visceral da palavra.
O filme brilha na ambientação sonora e na cenografia, que abandona os clichês de “deserto dourado” por uma estética mais opressiva e sombria. No entanto, a produção não foge de alguns pecados do gênero, o filme sofre em se estender além do necessário, em certos momentos, a lógica dos personagens é sacrificada em nome do choque visual, um problema recorrente em filmes que priorizam a atmosfera sobre a substância.

“A Maldição da Múmia” cumpre a promessa de “subverter o paladar”, é um filme de terror puro, +18, que não pede desculpas por sua brutalidade, para os fãs de terror convencional, pode parecer “barulhento” demais; para os entusiastas do novo horror visceral, é uma obra que será discutida (e sentida no estômago) por um bom tempo.
Nota 3/5