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Mercados de previsão geram alerta sobre desinformação em eleições

Mercados de previsão geram alerta sobre desinformação em eleições
1 de 1 Midterms - Eleitora preenche cédula de votação em Harrisburg, na Pensilvânia (EUA) — Foto: REUTERS/Mike Segar

As eleições legislativas dos Estados Unidos acontecem em um momento de expansão dos chamados mercados de previsão, plataformas nas quais os usuários podem apostar dinheiro em possíveis resultados de acontecimentos, incluindo disputas eleitorais. O uso dessas plataformas em eleições, porém, preocupa especialistas pelo risco de disseminação de informações falsas e de interpretações equivocadas sobre os resultados das urnas.

Especialistas alertam que os percentuais exibidos nessas plataformas podem ser interpretados como resultados praticamente garantidos, embora representem apenas estimativas. Há também situações em que grupos políticos tentam influenciar essas probabilidades. Se o resultado das urnas for diferente do indicado pelos mercados de previsão, alguns eleitores podem interpretar essa divergência como indício de fraude, mesmo que ela não represente uma irregularidade.

Crescimento das plataformas e debate regulatório

Plataformas como Polymarket e Kalshi permitem que usuários negociem contratos cujo valor depende de resultados eleitorais. Apesar do crescimento desse mercado, pesquisas indicam que a maioria dos americanos é contrária à realização de apostas sobre eleições. No Brasil, a oferta de contratos vinculados a resultados eleitorais está proibida desde maio de 2026, com o bloqueio de plataformas como Polymarket e Kalshi após resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).

As probabilidades divulgadas pelas duas plataformas também passaram a aparecer na cobertura de grandes veículos de comunicação, ampliando a presença dos mercados de previsão no noticiário eleitoral. Os mercados de previsão estão se popularizando nos EUA, mas ainda enfrentam disputas judiciais sobre quais regras devem seguir, pairando a dúvida se devem ser reguladas como mercados de commodities ou se devem estar sujeitas às leis sobre apostas.

Riscos de confusão entre probabilidade e resultado

A Kalshi afirma que as informações oferecidas por sua plataforma são diferentes das apresentadas pelas pesquisas eleitorais tradicionais e reconhece que as probabilidades divulgadas não garantem que determinado resultado vá se concretizar. Segundo a companhia, eventuais tentativas de manipular as probabilidades tendem a ser compensadas pelas negociações realizadas por outros usuários da plataforma. Para mais detalhes sobre o debate regulatório, consulte a cobertura da Reuters.

Apesar dessas explicações, especialistas alertam que os percentuais podem ser confundidos com resultados já definidos, especialmente porque as estimativas também são divulgadas nas redes sociais. Uma alta probabilidade não representa uma promessa, e quando uma previsão acaba se revelando errada, o público tende a interpretar o desvio de maneira equivocada.

Impacto político e episódios de acusações de fraude

Um episódio ocorrido em junho, nas eleições primárias para a Prefeitura de Los Angeles, mostrou como as probabilidades dos mercados podem ser confundidas com os resultados das urnas. Após a derrota do republicano Spencer Pratt, influenciadores de direita fizeram acusações de fraude, citando estimativas das plataformas que indicavam chances de o candidato avançar para a eleição geral.

Parte das publicações com informações falsas na rede social X aparecia identificada como parceria paga. O episódio provocou críticas e levou Polymarket e Kalshi a adotar medidas em relação à divulgação desse tipo de conteúdo, com a Kalshi orientando seus parceiros a não questionar resultados eleitorais oficiais sem apresentar fundamentos para isso.

Preocupações de autoridades eleitorais nos Estados Unidos

O avanço dos mercados de previsão também preocupa autoridades eleitorais encarregadas da administração de pleitos. Responsável pela administração das eleições no estado de Maryland, uma autoridade local pediu uma avaliação sobre a legalidade das apostas relacionadas a disputas eleitorais no estado e proibiu os mesários de apostar em resultados eleitorais.

A introdução de dinheiro nas previsões eleitorais é vista por administradores públicos como um fator que adiciona riscos à integridade do processo democrático. O objetivo principal das autoridades é evitar que a legitimidade do resultado das urnas seja colocada em dúvida pelo público geral.

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