A cobertura vacinal contra o vírus influenza, causador da gripe, está muito aquém da meta de imunizar 90% do grupo prioritário, se consideradas as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Dados extraídos do painel de vacinação do Ministério da Saúde mostram um cenário desafiador para a imunização no país.
Dos 5.119 municípios avaliados nessas regiões, somente 82 alcançaram ou ultrapassaram o índice ideal de proteção. Outros 139 municípios registraram avanço considerado significativo, mantendo-se acima de 80% de cobertura.
Panorama da imunização nas cidades
Na grande maioria dos casos mapeados pelas autoridades sanitárias, a cobertura vacinal permanece em patamares intermediários. Um total de 2.935 municípios apresenta índices situados entre 41% e 60%.
Outras 1.571 cidades conseguiram vacinar de 61% a 80% do público-alvo determinado. No cômputo geral dessas quatro regiões, o patamar médio de imunização do grupo prioritário estacionou em 52,45%.
O público-alvo engloba tradicionalmente pessoas com 60 anos ou mais, crianças com idade entre 6 meses e menores de seis anos, além de gestantes. A região Norte possui cronograma próprio, com início de campanha programado para novembro devido ao inverno amazônico.
Fatores climáticos e circulação viral
Especialistas apontam que as alterações climáticas recentes exercem forte influência sobre a dinâmica de transmissão dos patógenos respiratórios. Mudanças abruptas de temperatura no Sul e Sudeste criam um ambiente propício para a circulação do vírus.
A médica infectologista Rosana Ritchmann, integrante do comitê de imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca o impacto do fenômeno climático global. O período atípico favorece surtos fora de época e desafia as redes de saúde.
Segundo a especialista, a proteção conferida pelos imunizantes possui duração limitada, estimada em cerca de seis meses. Essa janela temporal reduz a eficácia da proteção para quem recebeu a dose no início do ano e segue exposto.
Mudanças no comportamento dos grupos prioritários
O perfil de adesão às campanhas de vacinação sofreu alterações importantes nos últimos anos, exigindo novas estratégias de comunicação. Idosos acima de 70 anos, que historicamente lideravam a adesão, reduziram a procura regular pelos postos.
Em contrapartida, os registros sanitários indicam uma evolução positiva na cobertura voltada para gestantes e crianças pequenas. O avanço nesses segmentos atenua parcialmente os riscos, embora a baixa adesão geral continue preocupando as autoridades médicas.
Para mais informações sobre campanhas e dados epidemiológicos, acesse a cobertura completa da Folha de S.Paulo.