Por Alex Blau Blau
Registros fiscais e cadastrais ampliam o debate sobre relações empresariais ligadas ao caso Banco Master enquanto senador sustenta que sua atuação profissional foi regular
A divulgação de novos documentos fiscais e cadastrais trouxe mais um elemento para as discussões envolvendo o senador e pré candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro. As informações apontam que o escritório de advocacia do parlamentar utilizava os serviços de uma empresa de contabilidade ligada ao mesmo contador citado no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.
Os documentos revelam que o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu três notas fiscais de R$ 500 mil para empresas relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro. Duas delas foram canceladas posteriormente, enquanto uma permaneceu válida.
Entre os registros apresentados, chama atenção o fato de o endereço eletrônico utilizado pelo escritório estar vinculado ao domínio de uma empresa de contabilidade pertencente a Alexandre Caetano dos Reis. Nos cadastros oficiais também consta que Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador, aparece como administradora da sociedade de advocacia.
Alexandre Caetano dos Reis é mencionado no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social como responsável técnico por empresas ligadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O documento afirma que ele exercia atividades contábeis em empresas relacionadas ao núcleo empresarial investigado.
As investigações também apontam que Alexandre Caetano foi alvo de operação da Polícia Federal e chegou a ser preso por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no decorrer das apurações sobre o caso.
A divulgação dessas informações ocorre na sequência das revelações envolvendo notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro para empresas que aparecem nas investigações relacionadas ao Banco Master. Os documentos ampliaram o interesse sobre os vínculos empresariais existentes entre pessoas e empresas citadas nas diferentes apurações.
Até o momento, não há indicação de que o senador seja investigado nesse episódio específico. Em manifestações anteriores, Flávio Bolsonaro afirmou que todas as atividades desenvolvidas por seu escritório obedeceram à legislação e sustentou que as relações comerciais mantidas ocorreram de forma regular.
A campanha do presidenciável ainda poderá se manifestar sobre as novas informações. Enquanto isso, os documentos passam a integrar um conjunto de fatos que seguem sendo acompanhados pelas autoridades e alimentam o debate político em torno das investigações envolvendo empresas e prestadores de serviços ligados ao caso Banco Master.