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O Grande Mutirão da Hipocrisia: Congresso corre contra o relógio eleitoral

Nada como a proximidade de uma eleição para despertar a súbita alma caridosa dos nossos parlamentares. Diante do fantasma das urnas de outubro, o Congresso Nacional resolveu abrir um “esforço concentrado” para fingir que trabalha em ritmo de mutirão, desenterrando pautas de grande repercussão social que ignorou solenemente ao longo do ano.

No topo do desespero simpático está o fim da escala de trabalho 6×1. De repente, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado descobriu que a exaustão humana existe, e o relator Omar Aziz corre para blindar o texto contra emendas, querendo aprovar a PEC logo para sair na foto como o grande libertador da classe trabalhadora moderna.

A fórmula mágica promete reduzir a jornada máxima de 44 para 42 horas e, depois, para 40 horas semanais, sem cortar salários. É um plano bonito no papel, mas que agora tramita sob a pressão de conseguir 49 votos em dois turnos no Plenário do Senado antes que o cidadão perceba o oportunismo temporal da medida.

Enquanto acenam com a folga semanal de um lado, do outro enfiam a mão no bolso do contribuinte com a infame “taxa das blusinhas”. O imposto de importação sobre compras internacionais de até 50 dólares é o exemplo perfeito de como o governo adora taxar a pequena alegria consumista da classe média para proteger lobbies industriais, tudo sob o selo do patriotismo fiscal.

Com a Medida Provisória da taxação vencendo no dia 8 de setembro, a senadora Leila Barros corre para aprovar o parecer na comissão mista. É o clássico salve-se quem puder legislativo, onde projetos polêmicos e impopulares são empurrados goela abaixo nos 45 minutos do segundo tempo da sessão.

Na Câmara dos Deputados, a pressa não é menor, e o alvo da vez são os entregadores de aplicativo e mototaxistas. Os deputados agora debatem linhas de financiamento para a compra de motos e bicicletas elétricas, numa clara romantização da precarização: o Estado não garante direitos trabalhistas reais, mas financia a ferramenta para você trabalhar doze horas por dia.

Para limpar a barra e parecerem humanistas completos antes de subirem nos palanques municipais, os parlamentares ainda incluíram na pauta projetos sobre tratamento de câncer e agroecologia. É a tática do “limpa-trilho”, misturando saúde pública legítima com barganha política para aprovar tudo em bloco, sem grandes questionamentos.

No Senado, a PEC da Segurança Pública surge como o espantalho eleitoral favorito da temporada. Ampliar a integração de forças e compartilhar dados é o tipo de promessa genérica que sempre ressurge quando os candidatos precisam posar de durões contra o crime organizado, sabendo que a burocracia real engolirá qualquer eficácia prática.

No meio desse teatro populista de fim de semana, chega a realidade nua e crua: o Orçamento de 2027. O governo federal entrega o projeto de lei orçamentária, abrindo oficialmente a temporada de caça às emendas parlamentares, onde o dinheiro público é fatiado para garantir o apoio dos mesmos políticos que hoje discursam sobre o bem comum.

Assim se desenha a semana no Congresso: um balcão de negócios apressado, onde o fim da escala de trabalho e a taxação das comprinhas servem de cortina de fumaça para o verdadeiro jogo de poder. O cidadão ganha uma promessa de folga, perde alguns trocados na alfândega e garante o emprego dos parlamentares por mais alguns anos.

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