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O Teatro Verde de 2030: O Brasil e a Arte de Prometer para Não Cumprir

O governo brasileiro adora uma vitrine internacional, especialmente quando ela envolve promessas verdes que arrancam aplausos fáceis de burocratas estrangeiros. Na COP17, em Ulaanbatar, o país se comprometeu a restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030. No papel e no PowerPoint, o plano é impecável; na prática, é mais uma meta colossal jogada para o colo do próximo governante de plantão.

A comunidade internacional aplaudiu de pé, afinal, bater palmas para as boas intenções alheias não custa um centavo. O problema é que o prazo final, 2030, funciona como um escudo político perfeito: está distante o suficiente para que os atuais tomadores de decisão já tenham se aposentado quando a conta da ineficiência inevitavelmente chegar.

A cereja do bolo dessa piada burocrática é o timing: a meta de neutralidade da degradação foi apresentada com um modesto atraso de 11 anos. No Brasil, a urgência climática corre no ritmo de uma tartaruga manca, onde o planejamento estratégico só sai da gaveta quando a pressão externa ameaça fechar as torneiras do crédito internacional.

Especialistas de ONGs tentam manter a compostura diplomática usando termos polidos como ‘ambiciosa’ para classificar a proposta brasileira. No mundo real, ‘ambicioso’ é o sinônimo elegante para ‘quase impossível de realizar’, dado o abismo histórico entre o que o país promete nos palcos mundiais e o que de fato executa no chão de terra batida.

Para que o milagre da restauração aconteça, seria necessária uma integração real que colocasse preservação, produção de alimentos e assistência social no mesmo barco. Contudo, o histórico nacional mostra que integrar ministérios no Brasil é tão fácil quanto misturar água e óleo, principalmente quando há disputa por verbas e protagonismo político.

A sociedade civil organizada já avisou que o foco agora deve ser a cobrança implacável de resultados ano a ano. Triste e realista constatação: em solo brasileiro, se o cidadão não policiar o Estado diariamente, o compromisso ambiental vira fumaça antes mesmo de a tinta das assinaturas no tratado internacional secar.

E qual é a solução mágica proposta para viabilizar tudo isso? Criar mais burocracia, obviamente. Diante do desafio, sugere-se a criação de uma Secretaria Especial com status de ministério, orçamento próprio e cargos comissionados. Porque, para a mentalidade governamental, nada resolve melhor a ineficiência do que inflar a máquina pública com novos cabides de emprego.

Enquanto os números astronômicos de milhões de hectares são exibidos como troféus nas plenárias da ONU, o orçamento real para fiscalização e manejo das bacias hidrográficas e unidades de conservação continua sendo disputado a tapas no Congresso. É a velha tática de vender a pele do urso antes de caçá-lo.

O Consórcio Nordeste também aproveitou a viagem à Mongólia para tentar morder uma fatia desse bolo financeiro, assinando memorandos para a Caatinga. Celebraram o ‘protagonismo’ da região, um termo pomposo que esconde a dura realidade de governos locais que agora precisam mendigar recursos externos para conter o avanço do deserto.

Ao fim do espetáculo, todos saem sorrindo na foto oficial e o circo diplomático se encerra com tapinhas nas costas. O semiárido continua secando, a degradação avança a passos largos, mas a máquina estatal pode dormir tranquila sabendo que, pelo menos até a próxima conferência, o discurso de fachada está garantido.

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