Poucos artistas conseguiram transformar a própria imagem em um símbolo tão poderoso da história do rock quanto Ozzy Osbourne, conhecido como o Príncipe das Trevas, o cantor ajudou a definir a identidade do heavy metal e construiu uma carreira marcada por excessos, polêmicas, reinvenções e uma legião de fãs espalhados pelo mundo, em Ozzy & Black Sabbath: Back to the Beginning, essa trajetória ganha um capítulo definitivo: o registro audiovisual de uma despedida que entrou para a história da música.
Com lançamento mundial nos cinemas para 28 de outubro de 2026, o longa documenta o espetáculo realizado em 5 de julho de 2025, no Villa Park, em Birmingham, cidade natal de Ozzy e berço do Black Sabbath, o evento reuniu o vocalista e a formação original da banda, com Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria, em uma apresentação que ganhou um significado ainda mais profundo após a morte de Ozzy, ocorrida apenas 17 dias depois do show.
Mais do que um simples filme de concerto, a produção transforma um acontecimento musical em um documento de despedida, registrando a última vez que esses gigantes do metal dividiram o palco.

A força de Back to the Beginning começa muito antes de qualquer acorde, a reunião da formação original do Black Sabbath representa o reencontro de músicos que ajudaram a criar uma das vertentes mais influentes da música contemporânea, depois de décadas de mudanças, separações e diferentes configurações, Ozzy, Iommi, Butler e Ward voltaram a tocar juntos em um momento que carregava o peso de toda a história da banda.
O repertório associado ao grupo, com clássicos como War Pigs, Iron Man, Children of the Grave e Paranoid, remete a uma época em que o rock pesado começava a estabelecer uma linguagem própria, mais sombria, agressiva e experimental, o Black Sabbath não apenas conquistou seu espaço: ajudou a abrir caminho para gerações de músicos que encontraram na distorção das guitarras e nas letras sombrias uma forma de expressão artística.

A apresentação também ganha uma dimensão humana ao considerar as condições de saúde enfrentadas por Ozzy nos últimos anos, no espetáculo, o cantor se apresentou sentado em um trono, mas a limitação física não apagou a importância daquele encontro com o público, o que estava em jogo não era demonstrar juventude ou provar que o tempo não havia passado. Era ter a oportunidade de se despedir.
A homenagem não se limita aos integrantes do Black Sabbath, o evento também reuniu nomes importantes do rock e do metal, incluindo Metallica, Guns N’ Roses, Pantera, Slayer, Tool, Gojira, Alice in Chains e Anthrax, entre outros convidados.

A presença desses artistas reforça uma das principais ideias do documento: a influência do Black Sabbath ultrapassa gerações e estilos, bandas que construíram carreiras próprias reconhecem a importância de um grupo que ajudou a estabelecer as bases do heavy metal.
Com apresentação de Jason Momoa e direção musical de Tom Morello, o evento foi concebido como uma grande celebração coletiva, o filme também reúne reflexões de músicos influenciados pelo Sabbath e imagens dos bastidores, ampliando o olhar para além do palco.
Esse aspecto pode ser especialmente valioso para o público que deseja compreender não apenas a dimensão do espetáculo, mas também o alcance cultural de uma banda cuja influência aparece em inúmeras vertentes do rock pesado.

O elemento mais significativo de Back to the Beginning é a consciência de que aquela apresentação não seria apenas mais um show na carreira de Ozzy Osbourne, o que originalmente nasceu do desejo do cantor de voltar aos palcos e agradecer aos fãs acabou adquirindo, após sua morte, um significado ainda mais definitivo.
É justamente aí que reside o potencial emocional da produção, cada imagem do vocalista diante da plateia passa a carregar uma dimensão diferente, o artista que durante décadas construiu uma persona irreverente, provocadora e quase indestrutível aparece também como um homem que deseja encerrar sua trajetória artística diante daqueles que acompanharam sua caminhada.

Essa dualidade faz parte do legado de Ozzy: por trás da figura extravagante, existia um intérprete que marcou profundamente a vida de milhões de pessoas, sua despedida não pertence exclusivamente aos fãs que estiveram em Birmingham, mas também àqueles que conheceram sua música por discos, fitas, CDs, plataformas digitais e gerações de músicos inspirados por seu trabalho.
Com duração anunciada de aproximadamente 2 horas e 27 minutos, o filme foi preparado para a exibição em salas de cinema, com mixagem de áudio Dolby Atmos e som surround 5.1.
A proposta é reproduzir a escala do estádio e, ao mesmo tempo, aproximar o espectador dos momentos mais íntimos da apresentação.
Essa escolha faz sentido. Concertos históricos podem ser registrados de inúmeras maneiras, mas a experiência cinematográfica oferece a oportunidade de observar expressões, detalhes da performance e reações da plateia em uma escala diferente daquela de uma transmissão convencional.

O material de bastidores e os depoimentos também podem contribuir para que o longa funcione como algo além de um registro musical, para os fãs de longa data, existe a possibilidade de reviver um momento marcante, para quem está descobrindo o Black Sabbath, o filme oferece uma porta de entrada para compreender por que esses músicos são considerados fundamentais para a história do gênero.

Ozzy & Black Sabbath: Back to the Beginning chega aos cinemas carregando uma responsabilidade que ultrapassa as expectativas habituais de um filme musical, a produção registra a despedida de um artista singular e o reencontro de uma formação responsável por transformar a história do rock.
O interesse do longa não está somente na potência das guitarras ou na quantidade de artistas reunidos, está no significado de assistir a músicos que ajudaram a construir um gênero celebrarem essa trajetória diante de uma plateia que reconhece sua importância.
Ozzy Osbourne foi muito mais do que um vocalista excêntrico ou uma figura emblemática da cultura heavy metal, sua voz, sua presença de palco e sua história se tornaram parte da identidade do heavy metal e o Black Sabbath permanece como uma das bandas fundamentais para entender a evolução do rock pesado.
A despedida registrada em Back to the Beginning representa, portanto, o encerramento de um capítulo histórico e a confirmação de um legado que continuará vivo enquanto houver alguém disposto a aumentar o volume e ouvir os primeiros acordes de uma música do Sabbath.
Porque algumas lendas não desaparecem quando o espetáculo termina, elas continuam vivas em cada acorde, em cada disco e em cada nova geração que descobre sua música.
Nota 5/5
(NOTA PESSOAL – Obrigado Ozzy por conseguir traduzir todos os meus anseios a angústias da alma de um jovem Thiago que não via muitas esperanças na vida, mas que aguentou firme com tantas músicas, entre elas, as suas)