Escolha da federação PSol-Rede para a suplência de Marina Silva amplia disputa por espaço entre os partidos aliados e coloca em risco a unidade da coligação em São Paulo
A definição da primeira suplência da candidatura de Marina Silva (Rede) ao Senado Federal acirrou as divergências entre os partidos que apoiam Fernando Haddad (PT) na disputa pelo Governo de São Paulo. A decisão da federação PSol-Rede de indicar o vereador Djalma Nery (PSol), de São Carlos, desagradou o PDT, que passou a cogitar o lançamento de uma candidatura própria ao Senado caso não seja contemplado na composição da chapa.
A indicação foi oficializada durante a convenção da federação realizada no último domingo (26), que também confirmou o apoio à candidatura de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes.
Nos bastidores, a disputa pela suplência é considerada estratégica. Integrantes da aliança avaliam que Marina Silva poderá voltar a ocupar um ministério em um eventual novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Se isso ocorrer, o primeiro suplente assumirá a cadeira no Senado durante o mandato.
O PDT afirma que havia expectativa de ocupar uma das suplências da chapa e considera que o acordo político firmado durante as negociações não foi respeitado. A legenda havia apresentado o nome do sindicalista Antonio Neto para acompanhar Marina Silva e também defendia o ex-prefeito de Araraquara Marcelo Barbieri para integrar a candidatura de Simone Tebet (PSB) ao Senado.
Entretanto, a tendência é que a suplência de Tebet fique com o advogado Laio Morais, ligado ao PT e ex-chefe de gabinete de Haddad no Ministério da Fazenda.
Com isso, dirigentes pedetistas passaram a discutir internamente a possibilidade de lançar um candidato próprio ao Senado, movimento que pode enfraquecer a estratégia eleitoral da coligação e dividir o tempo de propaganda eleitoral entre candidaturas concorrentes no mesmo campo político.
Lideranças do PDT argumentam que a legenda possui maior capilaridade política em São Paulo e maior representatividade nacional do que outros partidos da aliança, defendendo que esses fatores deveriam ser considerados na distribuição dos espaços.
A composição atualmente desenhada concentra duas posições para o PT, com Fernando Haddad ao governo e Laio Morais na suplência de Simone Tebet; duas para o PSB, com Simone Tebet ao Senado e Márcio França na vice-governadoria; e duas para a federação PSol-Rede, com Marina Silva candidata ao Senado e Djalma Nery como primeiro suplente. O PDT, nesse cenário, ficaria sem participação na chapa majoritária.
Nos bastidores, integrantes do PSol afirmam que lideranças mais próximas do presidente Lula defendem uma reavaliação da composição para acomodar o PDT e preservar a unidade da base governista. Até o momento, porém, não houve anúncio de mudanças, e as negociações seguem em andamento entre os partidos aliados.