Levantamento revela cenários diferentes na disputa pelo Governo, Senado, Câmara Federal e Câmara Legislativa. Celina Leão aparece na frente pelo Buriti, enquanto Senado e eleições proporcionais apresentam disputas mais pulverizadas
A eleição de 2026 no Distrito Federal começa a entrar em uma fase em que cada ponto percentual passa a ser observado com atenção pelos partidos e candidatos.
A nova pesquisa do Instituto Gazeta de Pesquisa, o IGAPE, divulgada em 20 de setembro, mostra quatro disputas com comportamentos bastante diferentes: Governo do Distrito Federal, Senado, Câmara dos Deputados e Câmara Legislativa.
No Buriti, existe uma liderança mais ampla. No Senado, a particularidade é a existência de dois votos. Na Câmara Federal, o eleitorado ainda apresenta elevado grau de indefinição. Já na Câmara Legislativa, a disputa aparece bastante pulverizada, com nenhum candidato alcançando 4% das intenções de voto.
O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 19 de setembro de 2026, com 2 mil eleitores do Distrito Federal. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-09868/2026.
Governo do DF: Celina aparece na frente
A corrida pelo Palácio do Buriti apresenta o cenário mais concentrado entre os quatro cargos analisados.
Celina Leão (PP) aparece com 41,5% das intenções de voto no cenário estimulado.
José Roberto Arruda (PSD) registra 16,3%, enquanto Leandro Grass (PT) aparece com 15,8%.
A diferença entre Arruda e Grass é de apenas 0,5 ponto percentual. Considerando a margem de erro de 2,2 pontos, os dois aparecem numericamente próximos no levantamento.
Paula Belmonte (PSDB) tem 5,4%. Ricardo Cappelli (PSB) aparece com 3,9% e Kiko Caputo (Novo), com 2,9%.
Outros candidatos aparecem com percentuais menores.
O levantamento registra ainda 8,2% de eleitores que não souberam ou não quiseram opinar.
A pesquisa também apresentou cenários de segundo turno. Em uma simulação entre Celina Leão e Arruda, a governadora aparece com 50,3%, contra 27,7% do ex-governador.
Em outro cenário, Celina aparece com 53,5% contra 27,8% de Leandro Grass.
Sem Celina na disputa, Arruda registra 35,9% e Grass aparece com 29,5%.
Esses números representam os cenários testados pelo instituto no período da coleta e não significam antecipação do resultado eleitoral.
Ranking Governo do DF
- Celina Leão (PP) – 41,5%
- José Roberto Arruda (PSD) – 16,3%
- Leandro Grass (PT) – 15,8%
- Paula Belmonte (PSDB) – 5,4%
- Ricardo Cappelli (PSB) – 3,9%
- Kiko Caputo (Novo) – 2,9%

Senado: dois votos mudam completamente a disputa
A eleição para o Senado tem uma característica que precisa ser considerada antes de qualquer leitura dos números.
Em 2026, o eleitor do Distrito Federal escolherá dois senadores.
Isso significa que cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes.
No primeiro voto, Michelle Bolsonaro (PL) aparece com 28,2%.
Leila do Vôlei (PDT) registra 15,6%. Erika Kokay (PT) aparece com 12,9% e Bia Kicis (PL), com 11,8%.
No segundo voto, porém, a fotografia muda.
Bia Kicis aparece com 16,7%, seguida por Leila do Vôlei, com 12,9%. Michelle Bolsonaro registra 11,6% e Erika Kokay, 9,1%.
O dado mais relevante está novamente entre os indecisos.
31,2% dos entrevistados não souberam ou não opinaram sobre o segundo voto para o Senado.
Esse número mostra que existe uma parcela expressiva do eleitorado que ainda não definiu sua segunda escolha.
É preciso evitar uma interpretação equivocada: o candidato que aparece em primeiro no primeiro voto não necessariamente será o mais citado no segundo voto. São duas escolhas diferentes feitas pelo eleitor.

Primeiro voto
- Michelle Bolsonaro (PL) – 28,2%
- Leila do Vôlei (PDT) – 15,6%
- Erika Kokay (PT) – 12,9%
- Bia Kicis (PL) – 11,8%
- Sebastião Coelho (Novo) – 3,8%
Segundo voto
- Bia Kicis (PL) – 16,7%
- Leila do Vôlei (PDT) – 12,9%
- Michelle Bolsonaro (PL) – 11,6%
- Erika Kokay (PT) – 9,1%
Indecisos no segundo voto: 31,2%

Câmara Federal: Fred Linhares aparece na frente
A disputa pelas oito cadeiras do Distrito Federal na Câmara dos Deputados apresenta uma situação diferente.
Fred Linhares (Republicanos) aparece numericamente na primeira posição, com 6,9%.
Rafael Prudente (MDB) registra 4,7%. Júlio César (Republicanos) aparece com 4,6% e Fábio Felix (PSOL), com 4,5%.
Gilvan Patrulha do Consumidor (Republicanos) tem 4,1%.
Na sequência aparecem Rollemberg, com 3,3%; Alberto Fraga (PL) e Zé Humberto (MDB), com 3,2% cada; Agnelo Queiroz (PT), com 2,9%; Cris Britto (Republicanos), com 2,4%; e Reginaldo Veras (PV), com 2,1%.
Carlos Dalvan (União) registra 1,9%. Izalci Lucas (PL) e Sandro Avelar (União) aparecem com 1,7%.
Aqui está um dos números que mais chama atenção na disputa proporcional:
32% dos entrevistados não souberam ou não opinaram.
Ou seja, quase um terço dos eleitores ouvidos ainda não apresentou um nome para deputado federal.
E há outra questão importante.
O Distrito Federal terá oito representantes na Câmara dos Deputados, mas a eleição é proporcional. Portanto, a votação individual dos candidatos precisa ser analisada junto com o desempenho de seus partidos ou federações.
Ranking Câmara Federal
- Fred Linhares (Republicanos) – 6,9%
- Rafael Prudente (MDB) – 4,7%
- Júlio César (Republicanos) – 4,6%
- Fábio Felix (PSOL) – 4,5%
- Gilvan Patrulha do Consumidor (Republicanos) – 4,1%
- Rollemberg (PSB) – 3,3%
- Alberto Fraga (PL) – 3,2%
- Zé Humberto (MDB) – 3,2%
- Agnelo Queiroz (PT) – 2,9%
- Cris Britto (Republicanos) – 2,4%
- Reginaldo Veras (PV) – 2,1%
- Carlos Dalvan (União) – 1,9%
- Izalci Lucas (PL) – 1,7%
- Sandro Avelar (União) – 1,7%
Não sabem/não opinaram: 32%

Câmara Legislativa: a disputa mais pulverizada
É na eleição para deputado distrital que a pesquisa apresenta uma das fotografias mais fragmentadas.
Joaquim Roriz Neto (PL) aparece numericamente na primeira posição, com 3,9%.
Chico Vigilante (PT) tem 3,4%.
Martins Machado (Republicanos) e Wellington Luiz (MDB) aparecem empatados com 3,2%.
Jaqueline Silva (MDB) e Max Maciel (PSOL) registram 3% cada.
Pastor Daniel de Castro (PP) e Renata Daguia (Republicanos) aparecem com 2,8%, enquanto Eduardo Pedrosa (União) tem 2,7%.
A partir daí, os percentuais ficam ainda mais distribuídos.
Delegado Fernando Fernandes tem 2,3%. Delmasso e Pepa aparecem com 2%.
Bispo Renato Andrade, Robério Negreiros e Rôney Nemer registram 1,7%.
Hermeto tem 1,5%. Ricardo Vale, 1,4%. Raad, 1,3%.
Jorge Vianna aparece com 1,1% e Rogério Morro da Cruz, com 1%.
Na parte final da lista estão Giulianno Cartaxo e Iolando, com 0,9%, além de Marcela Passamani e Rogério Ulysses, com 0,8%.
E novamente aparece um número importante:
21,8% não souberam ou não opinaram.
Nenhum candidato chega a 4%.
Isso significa que a diferença entre vários nomes é pequena e precisa ser analisada levando em consideração a margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Ranking Câmara Legislativa
- Joaquim Roriz Neto (PL) – 3,9%
- Chico Vigilante (PT) – 3,4%
- Martins Machado (Republicanos) – 3,2%
- Wellington Luiz (MDB) – 3,2%
- Jaqueline Silva (MDB) – 3,0%
- Max Maciel (PSOL) – 3,0%
- Pastor Daniel de Castro (PP) – 2,8%
- Renata Daguia (Republicanos) – 2,8%
- Eduardo Pedrosa (União) – 2,7%
- Delegado Fernando Fernandes (Republicanos) – 2,3%
- Delmasso (Republicanos) – 2,0%
- Pepa (PP) – 2,0%
- Bispo Renato Andrade (Republicanos) – 1,7%
- Robério Negreiros (Podemos) – 1,7%
- Rôney Nemer (PP) – 1,7%
- Hermeto (MDB) – 1,5%
- Ricardo Vale (PT) – 1,4%
- Raad (Mobiliza) – 1,3%
- Jorge Vianna (Democrata) – 1,1%
- Rogério Morro da Cruz (PSD) – 1,0%
- Giulianno Cartaxo (Republicanos) – 0,9%
- Iolando (MDB) – 0,9%
- Marcela Passamani (MDB) – 0,8%
- Rogério Ulysses (Avante) – 0,8%
Não sabem/não opinaram: 21,8%

E como estão as nominatas para a CLDF?
É aqui que a leitura da pesquisa precisa sair do simples ranking individual.
O Republicanos aparece com seis nomes entre os 24 candidatos listados: Martins Machado, Renata Daguia, Delegado Fernando Fernandes, Delmasso, Bispo Renato Andrade e Giulianno Cartaxo.
O MDB aparece com quatro: Wellington Luiz, Jaqueline Silva, Hermeto e Iolando.
O PP tem Pastor Daniel de Castro, Pepa e Rôney Nemer.
O PT aparece com Chico Vigilante e Ricardo Vale.
O PL, na lista apresentada pelo levantamento, tem Joaquim Roriz Neto.
PSOL, União, Podemos, Mobiliza, PSD, Democrata e Avante aparecem com um nome cada entre os candidatos que pontuaram.
Mas existe uma diferença fundamental entre ranking de candidatos e projeção de cadeiras.
A pesquisa mostra a intenção de voto individual. Ela não apresenta, por si só, os votos válidos de cada partido ou federação nem permite calcular com segurança quantas cadeiras cada legenda conquistaria.
Na eleição proporcional, a votação coletiva das legendas também entra na conta.
Por isso, a quantidade de candidatos de um partido que aparece na pesquisa é um indicador da presença de seus nomes, mas não deve ser apresentada como previsão de quantas cadeiras a legenda fará.

Quatro eleições, quatro comportamentos
A fotografia do IGAPE mostra um Distrito Federal eleitoralmente dividido por cargo.
No Governo, Celina Leão aparece com 41,5%, enquanto a segunda posição está concentrada em uma disputa muito mais próxima entre Arruda e Grass.
No Senado, o eleitor terá dois votos e as posições mudam quando se passa do primeiro para o segundo. O segundo voto ainda apresenta 31,2% de indefinição.
Na Câmara Federal, Fred Linhares aparece com 6,9%, mas 32% dos entrevistados ainda não escolheram um nome.
Na Câmara Legislativa, Joaquim Roriz Neto aparece com 3,9%, porém a disputa está espalhada entre dezenas de nomes e 21,8% ainda não declararam preferência.
É essa diferença que merece atenção.
Não existe uma única eleição em Brasília.
Existe a eleição do governador, duas eleições para senador, oito disputas por vagas na Câmara Federal e 24 cadeiras na Câmara Legislativa.
E cada uma delas obedece a uma lógica diferente.
A pesquisa do IGAPE registra o comportamento do eleitor entre os dias 15 e 19 de setembro. A campanha ainda está em andamento e as intenções podem mudar até a votação.
Por enquanto, os números mostram uma corrida pelo Buriti mais concentrada, uma disputa pelo Senado com dois votos e uma segunda escolha ainda bastante aberta, uma Câmara Federal com alto índice de indefinição e uma Câmara Legislativa marcada pela pulverização dos votos.
É essa fotografia, e não uma previsão do resultado, que a pesquisa coloca sobre a mesa nesta reta final da eleição.