Um levantamento inédito realizado por um dos principais institutos de pesquisa do país revelou que a opinião pública está profundamente dividida ao apontar a responsabilidade política e administrativa pelo avanço das fraudes investigadas no Caso Master. Os dados mostram que o eleitorado reflete a polarização nacional, fragmentando as opiniões entre a atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Caso Master, que investiga um rombo bilionário envolvendo bancos públicos, fundos partidários e fraudes em previdências estaduais, tornou-se o novo campo de batalha de narrativas entre apoiadores e opositores da atual gestão federal.

Fonte:Arte/Metrópoles sobre fotos de Vinícius Schmidt/Metrópoles
De acordo com o relatório da pesquisa estimulada, uma parcela expressiva dos entrevistados atribui a culpa ao atual governo federal, sob o argumento central de que o ápice das investigações e as maiores movimentações de recursos ocorreram ou ganharam tração sob o atual mandato. Os eleitores que compartilham dessa visão apontam supostas falhas nos órgãos de fiscalização contemporâneos, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além de criticarem as supostas tentativas de blindagem política e contratos de consultoria envolvendo familiares de magistrados. Para esse grupo, a permanência de práticas irregulares demonstra uma conivência ou ineficiência administrativa da equipe econômica em vigor.
Por outro lado, outra fatia relevante dos entrevistados direciona a responsabilidade para a gestão anterior, chefiada por Jair Bolsonaro, argumentando que a gênese do problema e o fortalecimento do grupo financeiro investigado ocorreram no período de 2019 a 2022. Os defensores dessa tese lembram que o Banco Master expandiu suas operações e adquiriu outras instituições de forma agressiva nos anos anteriores, sugerindo que o afrouxamento dos mecanismos de controle e a falta de regulação estrita começaram no passado recente. Sob essa ótica, o governo atual estaria apenas lidando com os desdobramentos e a herança de uma estrutura previamente fragilizada.
Analistas políticos apontam que os resultados refletem o fenômeno em que a população tende a absorver crises complexas por meio dos filtros ideológicos das lideranças que já apoia, convertendo dados técnicos de auditorias em munição partidária. Enquanto a oposição utiliza os dados para desgastar a agenda econômica governista e questionar a lisura dos bancos públicos regionais, os aliados do Palácio do Planalto enfatizam que as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal ocorrem com total autonomia na atual gestão. Essa divisão de narrativas impede um consenso social sobre as verdadeiras origens e soluções para os crimes de colarinho branco apurados.
O dado mais alarmante do levantamento, contudo, reside no índice generalizado de desconfiança em relação ao desfecho do processo jurídico e ao funcionamento das instituições fiscalizadoras do país. Independentemente de culparem Lula ou Bolsonaro, a maioria esmagadora dos entrevistados declarou acreditar que o Caso Master terminará sem punições severas ou repatriação total dos valores para os principais envolvidos, demonstrando um ceticismo crônico da sociedade. A percepção final é de que, além de alimentar a polarização política, o escândalo financeiro reforça o sentimento de impunidade estrutural que historicamente afeta a credibilidade do sistema político e bancário brasileiro.