Em ofensiva sem precedentes aberta em Mônaco, federação europeia intima cúpula da Fifa a preservar provas e aciona tribunais para tentar destituir atual presidente por “má gestão”.
O futebol mundial está oficialmente à beira de um colapso político de proporções históricas. A Uefa está preparando uma denúncia criminal na Suíça contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, sob a acusação de “má gestão delituosa” (com base no Artigo 158 do Código Penal Suíço). A informação consta em um documento de 56 páginas protocolado em tribunais dos Estados Unidos.
Como parte crucial desta declaração de guerra, o escritório de advocacia Dechert (que representa a Uefa) enviou uma notificação legal intimando nominalmente 18 executivos e assessores da Fifa a preservarem dados, e-mails e mensagens eletrônicas como potenciais evidências. Reunida hoje (27) em Mônaco, a Uefa emitiu um comunicado declarando que a tentativa de privatizar fatias da Copa do Mundo representou um “abuso do poder presidencial”. Apertem os cintos e preparem-se para a Terceira Guerra no Futebol Mundial.
A Ofensiva nos Tribunais dos EUA e a Busca por Provas
Para embasar o futuro processo criminal na Suíça, a Uefa recorreu ao sistema judiciário norte-americano através de pedidos de descoberta de evidências (discovery via ferramenta Section 1782). As ações miram o fundo Thrive Capital Management, de Joshua Kushner, em Nova York, e os escritórios da Fifa em Coral Gables, na Flórida.
A gestora de Kushner atuaria como investidora âncora, pagando US$ 4,2 bilhões por uma participação de 20% na subsidiária comercial Fifa Forward Enterprise (FFE). Nos documentos, a Uefa afirma que os termos geravam um valor de mercado de US$ 20 bilhões para os torneios da Fifa, uma cifra que classificou como “absurdamente baixa” e não testada por avaliadores independentes. A petição alega que a estrutura foi desenhada para que Infantino e um “pequeno círculo” lucrassem em detrimento das federações membros.
A Intimação aos 18 Executivos da Fifa
A Uefa emitiu um alerta formal de preservação contra a destruição de materiais relevantes para os processos judiciais. A carta adverte expressamente que qualquer exclusão, alteração ou ocultação de mensagens eletrônicas após o recebimento da ordem constituirá ocultação e destruição de provas (spoliation of evidence).
Entre os 18 executivos e assessores de alto escalão da Fifa listados nominalmente na ordem de preservação de provas estão:
- Gianni Infantino (Presidente da Fifa);
- Thomas Peyer (Diretor Financeiro / CFO da Fifa, baseado em Zurique);
- Arsène Wenger (Ex-treinador e atual chefe de Desenvolvimento Global de Futebol da Fifa);
- Integrantes e assessores diretos da administração da Fifa e de seu braço operacional para as Américas.
O Posicionamento Oficial da Uefa e o Fim do Boicote
Paralelamente ao cerco nos tribunais, presidentes das federações nacionais europeias reuniram-se em Mônaco durante o sorteio da Champions League. Em nota oficial, o grupo confirmou que:
- A Fifa recuou e confirmou por escrito que o projeto FFE foi “irrevogavelmente e permanentemente retirado”.
- Diante do recuo, a Uefa suspendeu provisoriamente a ameaça de boicote de suas seleções aos torneios da Fifa da atual temporada (como o Mundial Feminino Sub-20).
- A revogação do projeto, no entanto, não anula a crise. A Uefa exigiu uma auditoria externa e independente sobre a concepção da FFE.
Guerra Declarada às Eleições de 2027
O comunicado oficial da Uefa sacramentou o rompimento político total para a eleição presidencial da Fifa marcada para março de 2027, no Marrocos. A entidade europeia confirmou que, caso Infantino tente buscar um novo mandato, a Uefa se unirá a outras confederações parceiras para garantir que os membros tenham uma “alternativa credível comprometida com integridade e prestação de contas”.
Até o momento, nem Gianni Infantino nem os porta-vozes oficiais da Fifa responderam publicamente aos questionamentos sobre as ações judiciais e as notificações de preservação de provas enviadas à sua cúpula.