O tema de devastação apocalíptica do mundo já é recorrente no universo cinematográfico, de invasões alienígenas até ser o único morador vivo no planeta, esse tema não cai em desuso, mas se tratando de “Ponto sem Retorno” você até se interessa em contemplar um mundo se a COVID não tivesse sido freada, mas para por aí.
Em um cenário devastado por uma epidemia global, Ponto Sem Retorno acompanha Hig (Jacob Elordi), um piloto sobrevivente que vive isolado em um hangar aéreo ao lado de seu parceiro de armas, Bangley (Josh Brolin), entre o luto pela perda da esposa e a constante ameaça dos “Ceifadores” saqueadores violentos que dominam as ruínas da civilização, a rotina monótona da dupla muda quando Hig capta um sinal de rádio distante, determinado a descobrir se ainda existe um refúgio seguro e uma centelha de humanidade, ele decide arriscar a própria vida ao cruzar os céus em seu pequeno avião em direção ao desconhecido.
A história tropeça no excesso de clichês do gênero pós-apocalíptico, o texto não entrega nada de novo em relação a produções consolidadas do mesmo estilo, como A Estrada ou Eu Sou a Lenda, limitando-se a diálogos expositivos, decisões ilógicas dos personagens e convenções narrativas cansativas.

O filme sofre graves problemas de montagem e ritmo, a jornada de Hig perde força ao longo de quase duas horas de projeção, gastando tempo excessivo em contemplações vazias que não constroem tensão nem avançam o enredo de forma orgânica.

Apesar de contar com nomes de peso como Jacob Elordi, Josh Brolin e Margaret Qualley, a produção entrega atuações engessadas, o roteiro limita o alcance dramático do elenco, entregando personagens sem tridimensionalidade ou desenvolvimento expressivo.
Os antagonistas e os perigos do mundo exterior não transmitem ameaça real, os conflitos são resolvidos de maneira anticlimática e sem impacto emocional, resultando em um desfecho que deixa a sensação de tempo desperdiçado.

Vindo de um diretor consagrado como Ridley Scott, o trabalho de direção decepciona por parecer burocrático, falta visual marcante e paixão na condução da obra que por horas de película beira a preguiça, resultando em uma estética genérica que parece um produto feito por encomenda e sem alma.
“Ponto Sem Retorno” falha em transformar sua premissa de sobrevivência em algo verdadeiramente envolvente ou memorável, o apelo do elenco e a escala de produção não conseguem salvar uma obra arrastada, previsível e sem estofo dramático.
Nota 1.5/5