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Pressão: quando uma previsão do tempo pode mudar o rumo da história.

Filmes sobre a Segunda Guerra Mundial geralmente colocam o espectador no meio do campo de batalha sujo e sangrento, onde não há tempo sequer de respirar, “Pressão” escolhe um caminho diferente  e justamente, em vez de concentrar sua narrativa nos soldados, nas armas e nas explosões, o longa dirigido por Anthony Maras mergulha nas 72 horas que antecederam o Dia D e mostra como uma previsão meteorológica poderia determinar o sucesso ou o fracasso de uma das maiores operações militares da história.

Baseado em acontecimentos reais, o filme acompanha o capitão James Stagg, interpretado por Andrew Scott, meteorologista responsável por fornecer informações decisivas ao general Dwight D. Eisenhower, vivido por Brendan Fraser, o problema é simples apenas na aparência: as condições climáticas sobre a Normandia são instáveis e qualquer erro de cálculo pode colocar milhares de vidas em risco.

É uma premissa que poderia facilmente resultar em um drama excessivamente técnico. Mas “Pressão” entende que a verdadeira tensão não está necessariamente na ação física, e sim no peso de uma decisão, cada reunião, cada mudança na previsão e cada dúvida sobre o clima passam a carregar uma dimensão quase tão ameaçadora quanto uma batalha.

Andrew Scott é o grande destaque. Seu James Stagg não é construído como um herói tradicional, mas como um homem extremamente consciente da responsabilidade que carrega, é justamente sua aparente fragilidade diante de generais e autoridades que torna sua trajetória interessante.

Brendan Fraser também entrega um Eisenhower diferente do estereótipo do grande comandante: um líder pressionado pela possibilidade de mandar milhares de homens para a morte caso tome a decisão errada.

O filme também acerta ao mostrar que guerras não são vencidas apenas por quem está segurando uma arma, cientistas, meteorologistas, estrategistas e especialistas também são decisivos, “Pressão” recupera uma história pouco conhecida e coloca no centro alguém que normalmente seria apenas uma nota de rodapé nos livros de história.

Mas o longa não é perfeito, sua proposta de suspense de gabinete exige paciência do público e, no segundo ato o ritmo perde força, há quem possa sentir falta da grandiosidade tradicional dos filmes de guerra, essa é justamente a aposta de Anthony Maras: fazer o espectador entender que, naquele momento, uma sala cheia de mapas e previsões meteorológicas poderia ser tão perigosa quanto qualquer campo de batalha.

“Pressão” funciona melhor quando transforma ciência em suspense e responsabilidade em conflito dramático, não é um filme sobre quem atira primeiro, é sobre quem precisa ter coragem para dizer “não” quando todos esperam ouvir “sim”.

No fim, mesmo com uma incômoda “barriga” que conduz o segundo ato, o título se revela extremamente apropriado, a pressão não está apenas no clima, na guerra ou na iminência do Dia D, ela está sobre os ombros de homens que sabem que uma única decisão pode alterar o destino de milhares de pessoas.

“Pressão” é um drama de guerra diferente, inteligente e baseado em uma das histórias menos conhecidas dos bastidores do Dia D. Pode não entregar a explosão de adrenalina de um épico de batalha, mas oferece algo talvez ainda mais interessante: a percepção de que, algumas vezes, a maior batalha acontece antes mesmo de o primeiro tiro ser disparado.

Nota 3.5/5

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