A distância e a falta de comunicação oficial motivaram uma iniciativa tecnológica voltada para localizar pessoas desaparecidas após fortes tremores. O programador Jorge Bastidas, que estava a trabalho em Bogotá, decidiu agir por sentir profunda impotência ao não conseguir falar com seus familiares na Venezuela após os tremores ocorridos no dia 24 de junho.
Com o auxílio de inteligência artificial, o projeto ganhou forma rapidamente para suprir a ausência de dados consolidados por parte das autoridades competentes. A ausência de canais oficiais gerou um vácuo de informações que mobilizou cidadãos e voluntários na busca por respostas sobre entes queridos.
A criação da ferramenta com inteligência artificial
Apenas quatro horas e meia após os abalos sísmicos, o site foi publicado graças ao uso da ferramenta de inteligência artificial da empresa Anthropic. O sistema inicial permitia o cadastro de dados básicos, incluindo fotografias e contatos para facilitar a identificação e a troca de informações entre os usuários afetados pela tragédia.
O volume de acessos surpreendeu os idealizadores nos primeiros dias de funcionamento. A infraestrutura precisou ser redimensionada para suportar picos elevados de tráfego, enquanto filtros adicionais foram integrados para barrar conteúdos impróprios, brincadeiras e tentativas de inserção de dados falsos na plataforma digital.
Reconhecimento facial e o desafio nos hospitais
Para otimizar as buscas, a plataforma integrou um modelo de reconhecimento facial cedido por um laboratório de inovação sediado no México. Essa tecnologia permitiu cruzar imagens de desaparecidos e auxiliar na verificação de registros em unidades de saúde e serviços forenses.
Paralelamente, equipes de voluntários e profissionais mobilizaram esforços para transcrever listas manuscritas obtidas em hospitais. Esse trabalho minucioso de cruzamento de dados ajudou a esclarecer o paradeiro de centenas de pessoas, embora a dimensão exata dos estragos ainda permaneça incerta para os criadores da iniciativa independente.
Críticas à falta de dados oficiais e novos passos
A ausência de boletins detalhados e de listas oficiais de desaparecidos por parte do governo gerou duras críticas da sociedade civil. Enquanto autoridades locais apresentavam divergências em relação aos números divulgados, plataformas independentes continuaram acumulando dezenas de milhares de registros de cidadãos ainda sem contato.
Para aprimorar a precisão das informações exibidas no site, os desenvolvedores planejam implementar centrais de atendimento telefônico. O objetivo é contatar diretamente os números cadastrados na base de dados, garantindo maior confiabilidade aos registros e oferecendo suporte adequado às famílias que buscam respostas.
Para mais informações sobre iniciativas humanitárias globais, acesse a BBC News Brasil.