Apesar da aproximação política no segundo turno, integrantes do grupo do governador paulista demonstram dúvidas sobre compromisso que poderá influenciar a disputa presidencial de 2030
A promessa de Flávio Bolsonaro (PL) de trabalhar pelo fim da reeleição presidencial, caso vença a disputa pelo Palácio do Planalto, tem provocado desconfiança entre aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A proposta é considerada importante para os planos políticos do governador, apontado por integrantes de seu grupo como possível candidato à Presidência em 2030.
Durante o segundo turno, Tarcísio ampliou sua participação na campanha de Flávio, buscando fortalecer a candidatura do senador e superar divergências surgidas após a primeira etapa da eleição.
A aproximação ocorreu depois de críticas de setores bolsonaristas que consideraram insuficiente o envolvimento do governador paulista na campanha do primeiro turno.
Nesse ambiente de reaproximação, Flávio teria assegurado a Tarcísio que, se eleito, defenderá uma mudança na legislação para acabar com a possibilidade de reeleição presidencial consecutiva.
A medida poderia abrir espaço para uma candidatura do governador paulista em 2030, sem a necessidade de enfrentar um presidente em exercício buscando novo mandato.
Entretanto, pessoas próximas a Tarcísio avaliam com cautela o compromisso apresentado pelo senador. A principal preocupação é que a promessa não avance depois de uma eventual chegada de Flávio ao poder.
Os aliados recordam que Jair Bolsonaro também defendeu o fim da reeleição antes de assumir a Presidência, mas não levou adiante a mudança durante seu governo.
Prazo para apresentar proposta será observado
Entre integrantes do grupo político de Tarcísio, existe a avaliação de que a rapidez com que Flávio tratará do assunto, caso seja eleito, será fundamental para demonstrar a intenção de cumprir o compromisso.
Uma eventual demora em apresentar medidas concretas poderá ampliar as dúvidas sobre a disposição do senador de abrir mão da possibilidade de disputar um segundo mandato.
A alteração das regras de reeleição dependeria de uma mudança constitucional, com aprovação do Congresso Nacional, não podendo ser determinada exclusivamente pelo presidente da República.
Apesar das reservas, Tarcísio permanece politicamente alinhado a Flávio Bolsonaro nesta reta final da campanha presidencial.
A discussão sobre o fim da reeleição, entretanto, revela que os movimentos políticos para 2030 já fazem parte das conversas entre aliados, mesmo antes da definição do resultado das eleições deste domingo (25).
O compromisso assumido por Flávio e sua eventual transformação em proposta concreta deverão ser acompanhados pelo grupo do governador paulista, que mantém expectativas de participação na próxima disputa presidencial.