Em primeiro lugar, o Conselho de Justificação instaurado para avaliar a conduta profissional do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto recebeu autorização para acessar o conjunto probatório reunido na esfera criminal. O oficial da Polícia Militar de São Paulo encontra-se preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes sob a acusação de praticar feminicídio contra a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana. Para acompanhar o andamento de desdobramentos judiciais e investigações na capital paulista, acesse a nossa seção de Brasil.
Além disso, a inclusão das provas periciais e depoimentos colhidos pela Justiça Comum ao processo administrativo tem como objetivo fundamentar a análise do colegiado. Por conseguinte, os membros do comitê militar examinarão se o réu mantém condições morais e funcionais para permanecer nos quadros da corporação.
A Estrutura do Conselho de Justificação e os Próximos Passos
Em segundo lugar, a determinação para abertura do procedimento partiu do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves. O grupo responsável por conduzir o Conselho de Justificação é formado por três coronéis da ativa: Adalberto Gil Lima Mendonça, Carlos Alexandre Marques e Marisa de Oliveira, além de um oficial suplente designado para eventuais substituições.
Nesse sentido, a comissão atua de forma independente da ação penal que tramita no Tribunal de Justiça. O papel dos oficiais consiste em instruir o processo disciplinar, colher a defesa formal do investigado e emitir um parecer conclusivo.
Por essa razão, caso o relatório final do Conselho de Justificação conclua pela incompatibilidade do oficial com a função militar, o parecer será encaminhado ao Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP). Cabe à corte militar apreciar a decisão do colegiado e, se ratificada a perda do posto e da patente, remeter o ato para sanção do governador do Estado.
Provas Emprestadas e os Apontamentos da Investigação
Por outro lado, o pedido para compartilhamento das evidências criminais baseia-se no conceito jurídico de prova emprestada. O relatório pericial aponta elementos reunidos ao longo do inquérito policial, incluindo dados de telefonia, laudos necroscópicos e registros de câmeras de segurança do condomínio onde o casal residia no centro de São Paulo.
Dessa maneira, a acusação sustenta que o tenente-coronel efetuou o disparo de arma de fogo que vitimou a esposa e adotou condutas para alterar a cena do crime, como o aparente apagamento de mensagens em dispositivos móveis e a intenção de trocar de vestimentas antes da chegada das equipes de socorro.
Igualmente, a defesa do réu nega qualquer participação no homicídio ou alteração do local, mantendo a tese de que a soldado teria cometido autoextermínio. O advogado do militar requereu a realização de novas perícias e o acompanhamento por assistente técnico durante a instrução processual.

Andamento da Ação Penal na Justiça Comum
Além do mais, no âmbito criminal, a instrução da ação penal segue em andamento na 1ª Vara do Júri da Capital. O interrogatório do tenente-coronel, que havia sido agendado anteriormente, precisou ser reagendado para o mês de outubro após pedidos de diligências complementares formulados por seus defensores.
Portanto, o militar permanece custodiado aguardando as decisões das duas esferas jurídicas. O desfecho do Conselho de Justificação definirá o futuro administrativo e os proventos do oficial, enquanto o Tribunal do Júri determinará sua responsabilidade penal em relação aos crimes imputados.
Assim, o acompanhamento rigoroso dos ritos processuais assegura o amplo direito de defesa e o devido processo legal em ambas as instâncias de julgamento.