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Saúde enfrenta desafios globais com envelhecimento e falta de verba

Saúde enfrenta desafios globais com envelhecimento e falta de verba

A comparação entre os sistemas públicos de saúde do Brasil e do Reino Unido ganha novos contornos diante da crise enfrentada pelo National Health Service (NHS). A médica brasileira Ana Luíza Gibertoni Cruz, que atua em um hospital de Oxford, destaca que as dificuldades britânicas servem como um alerta preventivo para o Sistema Único de Saúde (SUS). Ambas as estruturas enfrentam o peso do envelhecimento populacional e o aumento de doenças crônicas.

O NHS, criado em 1948, foi uma das principais referências para a consolidação do SUS na Constituição de 1988. No entanto, o modelo que já foi motivo de orgulho nacional no Reino Unido agora lida com restrições orçamentárias severas e filas recordes. Essa realidade evidencia que a universalidade do atendimento exige atualizações constantes em gestão e tecnologia para permanecer sustentável.

Saúde pública e os paralelos entre os modelos britânico e brasileiro

Especialistas apontam que o Brasil e o Reino Unido compartilham obstáculos semelhantes, como a dificuldade de garantir equidade no acesso regional. Mesmo com sistemas universais, a qualidade do atendimento varia drasticamente conforme a localização geográfica. Em setembro de 2025, a lista de espera na Grande Manchester era oito vezes superior à da região de Cornualha, expondo abismos internos no sistema britânico.

No cenário brasileiro, a desigualdade regional também afeta a disponibilidade de especialistas e a agilidade em exames complexos. A médica Ana Luíza observa que, no Brasil, ainda existe uma cultura muito centrada na figura do médico como autoridade final. Essa característica pode dificultar a descentralização do cuidado, que é uma das metas das reformas propostas no exterior para aliviar a carga sobre os profissionais.

Unidades de avaliação buscam desafogar hospitais de grande porte

Uma das estratégias adotadas em Oxford para mitigar a crise é a Unidade de Avaliação Aguda (AAU). Criada em 2010, essa clínica foca no atendimento rápido de condições urgentes para evitar internações desnecessárias. O objetivo é estabilizar o paciente e oferecer alta ou transferência imediata, otimizando o uso de leitos hospitalares que possuem alto custo operacional.

No Brasil, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), implementadas em 2007, desempenham um papel análogo ao tentar filtrar a demanda que chegaria aos grandes hospitais. Contudo, a eficácia dessas unidades depende diretamente da integração com a atenção primária. No Reino Unido, os pacientes geralmente precisam passar por um clínico geral antes de serem encaminhados para serviços especializados ou de urgência.

Reforma no Reino Unido prioriza prevenção e tecnologia

Para enfrentar o colapso iminente, o governo britânico lançou em 2025 um plano decenal focado em três pilares fundamentais. A estratégia visa transferir parte do atendimento hospitalar para as comunidades, acelerar a digitalização dos prontuários e ampliar massivamente o foco na prevenção de doenças. A ideia é tratar o cidadão antes que a condição se torne uma emergência hospitalar dispendiosa.

Essa transição para um modelo mais preventivo é vista como essencial para lidar com uma população que vive mais, mas passa mais tempo convivendo com enfermidades. O desafio de obter financiamento adequado e gerenciar fundos de forma eficiente é uma pauta comum. Para mais detalhes sobre as transformações nos sistemas globais, acesse a cobertura da BBC News Brasil.

A experiência britânica sugere que o investimento contínuo é a única forma de evitar a degradação dos serviços. A restrição de verbas por mais de uma década no NHS resultou em um gargalo que agora exige reformas estruturais profundas. Para o SUS, a lição reside na necessidade de fortalecer a atenção primária e adotar tecnologias que permitam um monitoramento mais ágil e menos burocrático da saúde da população.

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