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STF autoriza investigação de ministro do STJ em apuração sobre suposto esquema de venda de decisões judiciais

STF autoriza investigação de ministro do STJ em apuração sobre suposto esquema de venda de decisões judiciais

23 de julho de 2026

Por Alex Blau Blau

Decisão permite que a Polícia Federal aprofunde diligências após manifestação favorável da Procuradoria Geral da República

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a ampliar as investigações sobre um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais, incluindo agora o ministro Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça. A medida foi tomada em um procedimento que tramita sob sigilo e atende a pedido apresentado pela Polícia Federal com parecer favorável da Procuradoria Geral da República.

Esta é a primeira vez que um integrante do Superior Tribunal de Justiça passa a ser alvo de investigação no caso. Até então, as apurações concentravam suspeitas sobre empresários, advogados, assessores e outros investigados apontados como possíveis intermediários na obtenção de vantagens financeiras em troca de influência sobre decisões judiciais.

Com a autorização, a Polícia Federal poderá realizar novas diligências para aprofundar a coleta de informações. Entre as medidas previstas estão análises de movimentações bancárias e levantamento de dados relacionados a servidores vinculados ao gabinete do ministro, além de pessoas próximas ao magistrado no período abrangido pela investigação.

Ao fundamentar a decisão, Cristiano Zanin considerou que existem elementos suficientes para justificar a continuidade das apurações e ressaltou que as medidas são proporcionais ao estágio atual da investigação. O processo permanece sob sigilo.

Em manifestação encaminhada à imprensa, o ministro Moura Ribeiro afirmou que desconhece a existência de qualquer investigação relacionada às decisões por ele proferidas. Em nota, a defesa destacou a trajetória do magistrado ao longo de mais de quatro décadas na magistratura e afirmou que são improcedentes as tentativas de vinculá-lo a práticas criminosas. O comunicado também esclarece que um servidor mencionado nas investigações foi afastado de suas funções anteriormente por determinação do próprio gabinete após a identificação de atuação considerada irregular.

Também por meio de nota, a defesa de Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado no caso, negou a prática de qualquer irregularidade. Os advogados sustentam que não foram encontrados elementos que indiquem conduta ilícita envolvendo o investigado e contestam a permanência da apuração no Supremo Tribunal Federal.

O inquérito segue em andamento e as investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal, acompanhadas pela Procuradoria Geral da República e supervisionadas pelo Supremo Tribunal Federal.

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