O Jogo: Um a Mais, Apatia e Nenhuma Finalização Certa
O cenário estava desenhado para uma noite de festa e redenção do futebol carioca. Precisando de uma vitória simples, o Flamengo encontrou um Estudiantes defensivo, mas a situação parecia clarear quando a equipe argentina teve o meia Baltasar Rodríguez expulso no início do segundo tempo.
Após o empate por 0 a 0 no tempo normal, a apatia criativa cobrou o seu preço na marca da cal: os cobradores cariocas falharam e os experientes argentinos venceram por 3 a 2, calando o maior palco do futebol brasileiro.
O Combo do Fracasso: O Declínio de Fluminense e Vasco
A trágica noite do Flamengo foi o último prego no caixão de uma semana de horror para os torcedores do Rio de Janeiro. Nos dias anteriores, os rivais locais já haviam passado pelo mesmo roteiro de decepção:
- O Fluminense na Libertadores: O Tricolor das Laranjeiras visitou o Palmeiras no Nubank Parque em vantagem após vencer a ida por 2 a 1. Conseguiu segurar o placar até os 36 minutos do segundo tempo, quando sofreu o gol que levou o confronto para as penalidades. Na marca da cal, o Fluminense acabou eliminado pelo Alviverde, perdendo a chance de defender seu título.
- O Vasco na Sul-Americana: Após travar uma verdadeira guerra judicial com a dupla Fla-Flu para retirar a partida de São Januário e jogar no Maracanã, o Vasco foi atropelado pelo Boca Juniors por 3 a 1 diante de mais de 66 mil torcedores cruz-maltinos, naufragando de forma inacreditável na semifinal.
O Peso do Fim da Hegemonia Brasileira
Para compreender o tamanho do feito do Estudiantes, basta olhar o abismo que vinha se desenhando no futebol sul-americano desde 2019. O Brasil emendou uma sequência avassaladora de troféus com Flamengo (2019, 2022), Palmeiras (2020, 2021) e Fluminense (2023), além da manutenção da taça em solo nacional na temporada de 2024. O continente havia se acostumado a assistir a finais de país único, transformando o torneio em uma extensão do Brasileirão.
O último clube da Argentina a sentir o gosto de disputar e vencer uma final de Libertadores havia sido o River Plate, na histórica decisão contra o Boca Juniors em Madrid, no ano de 2018. Desde então, as equipes vizinhas eram sufocadas pelo poderio econômico do mercado brasileiro.
A Mística do Estudiantes e o Choque de Estilos em Montevidéu
Se havia um clube capaz de quebrar esse tabu histórico por meio da pura raça e organização tática, esse clube era o Estudiantes. Conhecido historicamente como o “Rey de Copas” por sua escola extremamente competitiva, o tetracampeão da América (1968, 1969, 1970 e 2009) viaja a Montevidéu com a chance de alcançar seu quinto título continental e se igualar ao Peñarol como o terceiro maior vencedor da história da Libertadores.
Enquanto o time de Abel Ferreira tenta estender sua dinastia com um tetracampeonato continental, resta aos três grandes do Rio de Janeiro juntarem os cacos de um ano de fracassos e repensarem a postura de seus elencos em momentos decisivos.