Circula amplamente pelas redes sociais um conteúdo audiovisual que atribui de forma falsa declarações críticas ao ex-governador Leonel Brizola contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O material gerou repercussão ao utilizar recursos tecnológicos avançados para manipular a imagem e a voz de uma figura histórica da política nacional, associando-a a acusações de envolvimento com milícias.
A investigação realizada por equipes de checagem constatou que a gravação que circula nas plataformas digitais é totalmente falsa. O G1 apurou que as ferramentas de verificação comprovaram o uso de inteligência artificial na adulteração do áudio e do vídeo original.
A origem manipulada do material divulgado
O conteúdo fraudulento começou a circular em plataformas como X, Facebook, Instagram e TikTok. Nas postagens, uma sobreposição de texto tenta convencer o público de que o político teria feito alertas sobre o então vereador em um período passado.
A montagem utiliza fragmentos visuais retirados de registros históricos reais, mas insere uma fala totalmente inédita e fabricada por meio de recursos computacionais avançados. A adulteração busca conferir falsa credibilidade ao discurso por meio da imagem de uma personalidade política já falecida.
O debate presidencial de 1989 e o contexto verdadeiro
A checagem de fatos revelou que as imagens utilizadas na montagem foram extraídas de um debate do primeiro turno das eleições presidenciais. O evento histórico contou com a participação de diversos candidatos da época, mas a transcrição oficial comprova que o nome citado na versão falsa nunca foi mencionado.
No trecho legítimo recuperado pelos pesquisadores, o discurso tratava de temas políticos e sindicais da história do país, sem qualquer relação com as acusações inseridas posteriormente pela edição criminosa.
Ferramentas tecnológicas comprovam a fraude
Especialistas em checagem submeteram o material a sistemas automatizados de detecção de fraudes em mídias audiovisuais. Os testes confirmaram a manipulação com margens elevadas de probabilidade de adulteração artificial:
- Sistemas apontaram alta taxa de alteração no áudio utilizado.
- Plataformas especializadas indicaram manipulação profunda nas frequências vocais.
- Recursos de detecção de rostos identificaram padrões típicos de deepfake.
A técnica conhecida como deepfake permite modificar tanto feições quanto falas em arquivos de vídeo, tornando o combate à desinformação um desafio crescente nas plataformas digitais.