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Zélia Duncan reinventa sua trajetória musical no espetáculo Agudo grave

Zélia Duncan reinventa sua trajetória musical no espetáculo Agudo grave
Foto: Rodrigo Goffredo

Em uma demonstração de maturidade artística e busca por novas sonoridades, Zélia Duncan estreou no Rio de Janeiro o show Agudo grave. A apresentação, realizada em 25 de setembro de 2026 no Vivo Rio, consolida o movimento iniciado no 15º álbum de estúdio da cantora, trazendo uma roupagem experimental que revisita clássicos de sua carreira sob a direção musical de Maria Beraldo.

A renovação sonora sob a batuta de Maria Beraldo

A colaboração entre Zélia Duncan e Maria Beraldo é o pilar central que sustenta a nova estética do espetáculo. A banda, composta por músicos multi-instrumentistas como Aline Gonçalves e Antonio Loureiro, transita entre a experimentação e a acessibilidade. Essa maleabilidade sonora permite que composições recentes, como Meu plano, convivam harmoniosamente com sucessos consolidados que ganharam arranjos inéditos.

A reconstrução de Catedral, um dos maiores sucessos da trajetória da artista, exemplifica essa proposta. Com o uso do clarone de Maria Beraldo, a canção ganha uma textura leve e inventiva, provando que o repertório pregresso pode ser ressignificado sem perder a conexão emocional com o público que acompanha a cantora desde 1994.

Cenografia e gestual como extensões da narrativa

A direção do show, assinada por Zélia Duncan em parceria com a cenógrafa Simone Mina, utiliza elementos visuais que reforçam a fluidez do repertório. Móbiles que remetem a cristais compõem o palco, criando um ambiente que traduz a leveza das novas composições. O gestual teatral da cantora, que já possui histórico como atriz, atua como um recurso cênico para realçar a carga dramática de faixas como E aí, IA?.

A performance também abre espaço para a introspecção e o diálogo direto com a plateia. Em momentos como a interpretação de Calmo, Zélia aproxima-se do público, estabelecendo um clima de intimidade que contrasta com a pressão sonora de números mais urbanos, como Olhos de cimento.

Conexões musicais e o legado de Itamar Assumpção

O espetáculo reforça a tradição de Zélia em transitar por obras de outros compositores. A influência de Itamar Assumpção permanece presente e vital, com a interpretação de Tua boca e o medley que une Sonho impossível a Que tal o impossível?. Essas escolhas reafirmam a devoção da artista pela vanguarda musical.

A participação especial de Lenine trouxe vitalidade extra ao palco carioca. Ao lado de Zélia e Maria Beraldo, o músico participou de momentos como a execução de Nos lençóis desse reggae, um dos pontos altos do bis. A integração entre convidados e o repertório autoral demonstra que, para Zélia Duncan, o tempo musical é o presente, conectando diferentes gerações e estilos em uma narrativa coesa. Mais informações sobre a trajetória da artista podem ser consultadas em zeliaduncan.com.br.

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