A DreamWorks já provou inúmeras vezes que consegue transformar conceitos simples em histórias capazes de emocionar diferentes gerações, infelizmente, A Ilha Esquecida passa longe desse resultado, o filme parte de uma premissa potencialmente interessante: duas melhores amigas, Jo e Raissa, são transportadas para a misteriosa ilha de Nakali e descobrem que, para voltar para casa, podem precisar abrir mão das memórias que construíram juntas.
No papel, existe material para uma aventura emocionante sobre amizade, amadurecimento, despedidas e memória, na tela, porém, a proposta simplesmente não funciona.
O maior problema está justamente na incapacidade do roteiro de transformar sua premissa em uma narrativa realmente envolvente, as situações se acumulam, os personagens aparecem e desaparecem e a aventura tenta equilibrar humor, fantasia e emoção sem encontrar um ritmo consistente, o resultado é uma experiência que, para este crítico, se torna cansativa e pouco inspirada.

Visualmente, A Ilha Esquecida até demonstra o cuidado técnico esperado de uma grande produção de animação, a ilha é colorida, as criaturas possuem designs interessantes e a cultura filipina está presente na construção daquele universo, mas beleza visual, sozinha, não sustenta um filme, e quando a história não consegue despertar envolvimento, toda aquela riqueza estética acaba parecendo apenas uma embalagem bonita para um conteúdo que não convence.

Também falta impacto emocional, a relação entre Jo e Raissa deveria ser o coração da produção, afinal, toda a aventura depende do valor daquela amizade e do medo de perder suas memórias, entretanto, a conexão entre as personagens não foi suficiente para me fazer sentir o peso dos acontecimentos, e quando o próprio vínculo central do filme não consegue emocionar, fica difícil comprar a importância do conflito.
A Ilha Esquecida é, para mim, um daqueles casos em que a ideia é consideravelmente melhor do que o filme que foi produzido a partir dela, existe potencial, existe um universo visualmente interessante e existe uma mensagem que poderia funcionar muito bem, mas cinema não é feito apenas de boas intenções.

No fim, a experiência foi frustrante, pouco envolvente e incapaz de entregar a emoção que sua própria história promete, para este colunista, A Ilha Esquecida não deixa uma lembrança marcante, deixa apenas a vontade de esquecer que foi assistida.
NOTA: 0/5