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Aplicativos de nudez por IA burlam controles parentais e chegam a celulares de adolescentes nos EUA

Aplicativos de nudez por IA burlam controles parentais e chegam a celulares de adolescentes nos EUA

Jovens e adolescentes nos Estados Unidos conseguem instalar softwares capazes de gerar nudez digital mesmo em aparelhos equipados com ferramentas de supervisão da família. Um levantamento conduzido pelo grupo de pesquisa Tech Transparency Project revelou que dezenas de plataformas voltadas a despir pessoas ou manipular corpos com inteligência artificial driblam as barreiras da Apple e do Google.

Para verificar a eficácia dos bloqueios, os pesquisadores criaram quatro perfis de teste configurados para jovens de 13 anos, sendo duas contas em cada sistema operacional. Durante o experimento, foram baixados 135 aplicativos que ofereciam ferramentas para remover roupas de fotografias ou sobrepor rostos em corpos despidos, expondo brechas críticas nas lojas oficiais.

Falhas na classificação indicativa deixam aplicativos livres para crianças

O acesso facilitado ocorreu principalmente porque muitas dessas ferramentas estavam catalogadas de forma inadequada nas lojas digitais. A conta vinculada ao sistema da Apple conseguiu fazer o download de 24 programas sem emitir qualquer aviso aos pais, enquanto o perfil no ecossistema do Google baixou 51 ferramentas sem restrições ou pedidos de aprovação dos responsáveis.

As inconsistências nas faixas etárias chamaram a atenção dos analistas. Um dos softwares examinados prometia despir digitalmente qualquer indivíduo e mantinha recomendação para maiores de 9 anos. Em outro caso ainda mais grave, um aplicativo promovido com material sexual explícito aparecia liberado para o público a partir dos 4 anos de idade.

Brechas na autorização e contorno de regras etárias nas plataformas

Além da facilidade para instalação direta, o estudo identificou vulnerabilidades financeiras e cadastrais. Os especialistas conseguiram assinar planos pagos utilizando a conta infantil sem que o responsável cadastrado recebesse notificações de cobrança ou alertas sobre a transação.

O relatório também apontou fragilidades nos mecanismos de validação etária da Apple. Em uma das etapas do teste prático, o sistema permitiu que a conta registrada originalmente para um usuário de 13 anos declarasse ter 17 anos para concluir o download de um programa restrito, sem exigir comprovação documental.

Reação das gigantes de tecnologia e medidas de fiscalização

Tanto a Apple quanto o Google proíbem formalmente ferramentas de conteúdo adulto não consentido em seus catálogos. No entanto, especialistas destacam que o processo de moderação ainda depende fortemente das informações fornecidas pelos próprios desenvolvedores no momento do cadastro.

Durante a realização do levantamento, a Apple baniu 25 dos softwares apontados e atualizou suas diretrizes para exigir medidas ativas contra imagens íntimas não consentidas. Já o Google eliminou seis ferramentas, informou monitorar conteúdos prejudiciais de forma contínua e afirmou ter bloqueado termos de busca relacionados em sua plataforma. Apesar dessas exclusões, os programas previamente instalados continuaram funcionando nos dispositivos dos usuários.

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