LAUSANNE, Suíça – O Comitê Olímpico Internacional (COI) deu início a uma das revisões mais drásticas e sigilosas da história recente do esporte mundial. Conforme revelado pelo jornal britânico The Guardian, negociações internas nos bastidores da entidade colocam sob ameaça real de exclusão modalidades que se tornaram a identidade da “geração internet” — como o surfe, o skate e a escalada esportiva —, além de modalidades tradicionais de grande porte, visando os Jogos Olímpicos de Brisbane, em 2032.
O motivo por trás do “efeito tesoura” é puramente matemático e financeiro: a necessidade urgente de frear a expansão descontrolada do evento, reduzir custos operacionais e respeitar o teto rígido de 10.500 atletas na Vila Olímpica.
O Paradoxo Jovem: O sucesso de Tóquio na corda bamba
A inclusão do surfe, do skate e da escalada em Tóquio 2020 (e consolidados em Paris 2024) foi celebrada publicamente como o “antídoto perfeito” para o envelhecimento do público olímpico. Os esportes de ação alcançaram recordes de engajamento digital e atraíram patrocinadores de peso voltados à Geração Z.
No entanto, no balanço financeiro do COI, o peso logístico começou a falar mais alto que as métricas das redes sociais. O maior exemplo prático desse problema foi a operação do surfe em Paris 2024, cujas baterias ocorreram no Taiti, a mais de 15 mil quilômetros da capital francesa. Essa descentralização geográfica exige estruturas de transmissão independentes, esquemas de segurança duplicados e isola os competidores do ecossistema olímpico central, inflando despesas que as cidades-sede não aceitam mais absorver.
A Lista Vermelha: Quem corre risco?
Para abrir espaço no programa sem estourar o limite de competidores, o COI trabalha com duas grandes frentes de corte:
- Os Gigantes Inflados: Esportes com delegações numerosas e arenas complexas, como o Remo e o Hóquei sobre a Grama, estão sob forte escrutínio. Disciplinas específicas do atletismo, como a Marcha Atlética, também estão na linha de frente devido ao alto custo de fechamento de vias públicas e baixa conversão em direitos de TV.
- Instalações Especiais Caras: Esportes que demandam modificações ambientais severas ou arenas de uso único muito específicas estão sob ameaça. É o caso da Canoagem Slalom (que exige canais artificiais de corredeiras caríssimos), do Mountain Bike (pistas técnicas isoladas) e do Hipismo (alto custo de transporte e quarentena sanitária dos cavalos).
- Os Convidados de Los Angeles: Novas adições para os Jogos de LA 2028, como Flag Football, Lacrosse e Squash, dificilmente sobreviverão para o ciclo seguinte na Austrália se o programa precisar encolher.
Alerta Máximo: O Caso Crítico do Boxe
Em uma situação ainda mais urgente, o boxe corre o risco de ser banido antes mesmo de 2032. Devido a uma severa crise de governança e escândalos envolvendo o COI e a Associação Internacional de Boxe (IBA), a modalidade está temporariamente fora de Los Angeles 2028 e luta contra o relógio para encontrar uma federação substituta confiável que mantenha o esporte vivo no programa olímpico.
Ansiedade na Austrália e o Prazo Final
A notícia causou forte apreensão no comitê organizador de Brisbane 2032. O presidente da organização local, Andrew Liveris, já manifestou publicamente a necessidade de clareza para que o país possa planejar seu orçamento de infraestrutura e parcerias comerciais. O corte de surfe e skate seria um golpe duro para a Austrália, país que possui uma das culturas de praia e esportes urbanos mais consolidadas do planeta.
O martelo sobre o destino definitivo dessas modalidades já tem data para ser batido. A expectativa do COI é revelar a lista prévia do programa principal até o início de 2027, com a aprovação final e oficial agendada para a sessão da entidade em abril de 2027.
Até lá, as federações internacionais iniciarão uma intensa batalha de bastidores e forte lobby político para provar que seus esportes são viáveis, modernos e, acima de tudo, financeiramente sustentáveis para o futuro do olimpismo.