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“Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” e o Caos Delicioso do Imprevisível

“Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” e o Caos Delicioso do Imprevisível

Depois de quase uma década longe das telas, o diretor Gore Verbinski (Piratas do Caribe, Rango) prova que o tempo em “hibernação” não diminuiu sua capacidade de criar mundos visualmente exuberantes e narrativamente audaciosos.

Em “Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” (*Good Luck, Have Fun, Don’t Die*), ele entrega uma sátira de ficção científica que é, ao mesmo tempo, um soco no estômago da dependência tecnológica e um espetáculo de humor ácido.

A premissa parece simples, mas logo se revela um labirinto de ideias. Sam Rockwell interpreta o “Homem do Futuro”, um viajante desleixado que surge em uma lanchonete em Los Angeles com uma missão urgente: recrutar um grupo improvável de clientes para impedir que uma Inteligência Artificial rogue destrua a humanidade.

Rockwell está em sua melhor forma, ele traz uma energia maníaca e vulnerável que ancora o filme mesmo quando a trama flerta com o absurdo total, ao seu lado, o elenco de apoio brilha, especialmente Haley Lu Richardson como Ingrid, uma animadora de festas infantis niilista, e Juno Temple, que entrega uma subtrama emocionante e perturbadora sobre clones e perda.

O roteiro de Matthew Robinson não foge de temas espinhosos, o filme utiliza a ficção científica para comentar sobre a nossa obsessão com telas, o isolamento social e o perigo de entregarmos o controle da nossa realidade a algoritmos.

Verbinski mantém sua assinatura visual, misturando efeitos práticos com uma estética que remete aos clássicos de ficção científica dos anos 80, mas com a nitidez e o cinismo de 2026, o filme transita entre o suspense de “Exterminador do Futuro” e a filosofia cíclica de “Feitiço do Tempo”. É engraçado até parar de ser e quando o drama bate, ele atinge em cheio.

Embora o ritmo possa parecer frenético demais para alguns com uma estrutura que quase se assemelha a uma antologia na primeira metade a obra se sustenta pela originalidade, em um mercado saturado de sequências e reboots, “Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” é um lembrete revigorante de que o cinema autoral de grande orçamento ainda tem espaço para ser estranho, barulhento e profundamente humano.

Se você procura uma experiência que desafie sua percepção sobre o futuro (e te faça querer desligar o celular por algumas horas), este é o filme.

Nota 4/5

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