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Cerco do Fair Play: Anresf investiga venda da SAF do Vasco, pune clubes e adverte o Botafogo

O futebol brasileiro vive uma semana de forte turbulência regulatória. A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), órgão independente da CBF, avançou na aplicação das regras do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), apontando que mais da metade dos 40 clubes das Séries A e B declararam débitos em aberto. A fiscalização gerou sanções, investigações e bloqueios envolvendo potências do futebol nacional.


Botafogo sob forte monitoramento e advertência da agência

O Botafogo tornou-se um dos alvos centrais da agência reguladora. A Anresf instaurou um procedimento para apurar supostas práticas de má gestão na SAF alvinegra, com foco em um empréstimo de US$ 25 milhões obtido para quitar a contratação de Thiago Almada junto ao Atlanta United. A agência analisa riscos de juros elevados, relatórios financeiros divergentes e o impacto do pedido de recuperação judicial da SAF, feito sob um passivo de R$ 2,5 bilhões. 
Além disso, o clube sofreu uma advertência formal sob ameaça de multa de R$ 100 mil (com acréscimo diário de R$ 20 mil) após o envio incompleto de balanços obrigatórios. A situação se somou à destituição definitiva de John Textor e outros membros do Conselho de Administração da SAF por decisão dos acionistas. Em meio às cobranças, a nova gestão da SAF iniciou um plano de reestruturação de 100 dias com auditorias completas.


Anresf proíbe relações entre Vasco, Palmeiras e Crefisa

A Anresf também investiga a venda da SAF do Vasco para o grupo de Marcos Lamacchia, casado com Leila Pereira, presidente do Palmeiras. A apuração busca analisar um possível conflito de propriedade ou “controle cruzado”, vedado pelo Artigo 86 do regulamento de sustentabilidade.
Como medida cautelar, a agência proibiu temporariamente relações comerciais entre Vasco, Palmeiras e Crefisa, bloqueando negociações de atletas e operações financeiras. O advogado André Sica, que defende Lamacchia, afirmou ao ge.globo que o clube segue em conversas com a Anresf e que soluções de governança estão sendo implementadas.


Grêmio sofre bloqueio preventivo de registros

O Grêmio foi o primeiro clube a sofrer um bloqueio preventivo nos registros da CBF. A ação ocorreu automaticamente de acordo com as regras de insolvência da Anresf (seção 8 do RSSF) após o clube apresentar um plano coletivo de credores na CNRD para quitar uma dívida de cerca de R$ 16 milhões. O tricolor gaúcho não perde o direito de contratar, mas novos registros dependem de autorização da agência.


Elenco da Ponte Preta entra em greve geral

Na Série B, a Ponte Preta enfrenta colapso financeiro. O elenco profissional decretou greve geral e suspendeu os treinos devido a atrasos de salários e direitos de imagem que chegam a seis meses. Os atletas se ampararam legalmente no Art. 90 (§ 5º) da Lei Geral do Esporte. O estopim ocorreu após uma liminar judicial travar a votação do projeto da SAF de R$ 1 bilhão. Previamente, a agência já havia excluído a equipe de programas de auxílio financeiro por calotes trabalhistas.


São Paulo notificado com prazo limite

O São Paulo também foi notificado pela Anresf sob ameaça direta de transfer ban. O motivo é uma cobrança em aberto movida pelo Grêmio Novorizontino referente à contratação do meio-campista Djhordney. O clube do Morumbi tem prazo regulatório até o fim de setembro para regularizar a situação financeira e evitar bloqueios.


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