Cerca de 2 em cada 5 pessoas no continente americano convivem com pelo menos uma condição neurológica, o que representa aproximadamente 470 milhões de portadores de demências, tumores, epilepsia, Parkinson e problemas de neurodesenvolvimento. Os dados integram um levantamento conduzido em 38 países das Américas, mapeando a prevalência, a mortalidade e a incapacidade de diversas patologias ao longo de décadas.
As principais condições identificadas na região incluem enxaqueca, Alzheimer e acidente vascular cerebral, conhecido como AVC, tanto na forma isquêmica quanto hemorrágica. Muitas dessas doenças estão associadas a fatores de risco modificáveis, o que abre margem para ações focadas na prevenção primária e secundária.
transição epidemiológica e aumento da longevidade
Ao longo dos anos, observou-se uma queda nas taxas de AVC isquêmico e hemorrágico, em contrapartida a um aumento de doenças neurodegenerativas, a exemplo da esclerose múltipla e da doença do neurônio motor. O cenário reflete uma clara transição da mortalidade prematura para a incapacidade crônica de longo prazo.
Essa mudança no perfil de saúde decorre diretamente do envelhecimento da população, do aumento da sobrevida e das melhorias expressivas no diagnóstico médico. Indivíduos que antes enfrentavam desfechos fatais precoces agora sobrevivem por muito mais tempo, passando a conviver com sequelas e limitações funcionais contínuas.
pressão sobre serviços e complexidade de atendimento
A maior longevidade e a sobrevivência prolongada geram uma sobrecarga intensa sobre o sistema de saúde. Condições crônicas exigem cuidados continuados, tratamentos multidisciplinares, serviços de reabilitação integrados e um contingente expressivo de profissionais capacitados para lidar com a alta heterogeneidade dos casos.
Especialistas ressaltam que abordagens genéricas são ineficientes para conter o impacto dessas enfermidades. O desafio atual exige o fortalecimento estrutural das redes de atendimento para garantir acesso facilitado a exames, consultas e terapias especializadas em todas as fases da vida.
estratégias preventivas divididas por etapas da vida
O levantamento aponta que a melhor forma de mitigar o avanço dessas condições é adotar uma estratégia integrada ao longo do curso de vida. Na infância e adolescência, a prioridade é o cuidado com o neurodesenvolvimento, combatendo a exposição ambiental a substâncias tóxicas como o chumbo.
Na juventude e idade adulta, a atenção deve se voltar para o controle de fatores de risco cardiovasculares, como a hipertensão, além do combate ao tabagismo e ao consumo nocivo de álcool. Já entre os idosos, o foco recai sobre a prevenção de demências, controlando a glicemia elevada, a obesidade e a exposição à poluição atmosférica. Para mais detalhes sobre o levantamento original, consulte a publicação científica na íntegra no The Lancet Regional Health.