O custo para assegurar investimentos contra a inadimplência no setor de tecnologia atingiu patamares históricos nesta quinta-feira. Investidores buscam proteção diante do crescente estresse financeiro que se desenha no ecossistema de inteligência artificial, com foco especial em operadoras de data centers que acumulam níveis elevados de endividamento.
A instabilidade é alimentada por indicadores de inflação nos Estados Unidos acima das projeções e pela expectativa de juros mais altos. Esse cenário pressiona empresas que dependem de capital intensivo para sustentar suas operações de IA, levantando dúvidas sobre a capacidade dessas companhias de converter investimentos massivos em lucros capazes de cobrir o encarecimento do crédito.
Risco de crédito e o alerta dos mercados
Os Credit Default Swaps (CDS), instrumentos utilizados para medir o risco de inadimplência, tornaram-se o principal termômetro dessa apreensão. A CoreWeave, empresa que acumula dívidas estimadas em quase US$ 50 bilhões, tornou-se o exemplo mais crítico desse movimento, com seus spreads de cinco anos superando a marca de 1.100 pontos-base.
Dados da S&P Global Market Intelligence indicam que o risco de inadimplência para a companhia nos próximos cinco anos saltou para 64%, um aumento expressivo frente aos 30% registrados há um ano. O rendimento dos títulos da empresa com vencimento em 2031 chegou a atingir 16% antes de uma leve correção.
Impacto em gigantes da tecnologia
O efeito cascata desse pessimismo também alcançou players consolidados do mercado. A Oracle, que enfrenta questionamentos devido ao seu volume de dívidas, viu seu CDS se aproximar de 300 pontos-base. O movimento de alta também atingiu nomes como Nvidia, STMicroelectronics e SpaceX, refletindo uma cautela generalizada sobre o setor.
Mesmo gigantes como Amazon, Alphabet e Meta registraram recordes em seus spreads de CDS, embora em um ritmo de crescimento mais contido do que o observado em empresas de infraestrutura de dados. O mercado observa com atenção se a transição de um modelo financiado por fluxo de caixa para um ciclo baseado em dívida será sustentável a longo prazo.
Dúvidas sobre a rentabilidade da inteligência artificial
Apesar de resultados operacionais positivos divulgados por empresas como a Anthropic, que reportou um aumento de 45% na receita trimestral, o otimismo dos investidores permanece limitado. A narrativa de crescimento acelerado da IA, que justificou emissões massivas de dívida, começa a ser confrontada pela realidade dos custos de financiamento.
Estrategistas do Deutsche Bank reforçam que, embora os custos de financiamento não sejam catastróficos para todo o setor, a dinâmica atual exige uma análise rigorosa dos preços de crédito. A comparação feita pelo presidente-executivo da Broadcom, Hock Tan, ao classificar a corrida pela IA como um jogo de cassino, sintetiza o clima de incerteza que domina as mesas de operação atualmente.