Um levantamento recente aponta um cenário preocupante para a saúde feminina no país. A parcela de mulheres brasileiras que afirma não conhecer formas de prevenção ao câncer de mama subiu de 25% para 29% desde 2024, revelando um distanciamento crescente entre a população e as práticas fundamentais de cuidado oncológico.
Os dados, obtidos por meio de uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a agência de dados Nexus, baseiam-se na escuta de 1.038 mulheres, dentro de uma amostra nacional de 2.015 pessoas. Enquanto o grupo que declara conhecer os métodos preventivos permaneceu estável, variando de 59% para 58%, houve uma redução na parcela que afirmava conhecer o tema de forma parcial, que caiu de 16% para 11%.
Impacto direto do conhecimento na rotina de exames
A pesquisa estabelece uma correlação direta entre o nível de informação e a adesão aos procedimentos de rastreamento. Entre as mulheres que declaram conhecer as formas de prevenção, 80% já realizaram o autoexame das mamas por toque e 65% já se submeteram à mamografia. Em contrapartida, entre aquelas que desconhecem os métodos, esses índices despencam para 30% e 35%, respectivamente.
O abismo comportamental é ainda mais evidente quando se analisa o grupo que nunca realizou nenhum dos dois procedimentos. Entre as mulheres informadas, apenas 12% nunca fizeram o autoexame ou a mamografia. Já entre as que desconhecem as formas de prevenção, esse número sobe para 55%, evidenciando o papel crucial da educação em saúde na detecção precoce.
Disparidades socioeconômicas e acesso à saúde
O acesso à informação e aos cuidados médicos também reflete as desigualdades sociais brasileiras. O percentual de mulheres que já realizou o autoexame varia drasticamente conforme a renda familiar: enquanto atinge 88% entre aquelas com renda superior a cinco salários mínimos, o índice cai para 51% entre as que vivem com até um salário mínimo. O conhecimento sobre prevenção segue a mesma tendência, saltando de 49% para 79% entre esses dois extremos.
O tipo de atendimento de saúde também influencia o cenário. Usuárias do SUS relatam um conhecimento de 56% sobre as formas de prevenção, enquanto o índice sobe para 69% entre as pacientes atendidas pela rede privada. Essas disparidades reforçam a necessidade de políticas públicas mais eficazes para democratizar o acesso à informação.
Importância do diagnóstico precoce e hábitos saudáveis
A prevenção do câncer de mama abrange desde a adoção de hábitos de vida saudáveis — como a manutenção do peso adequado, a prática regular de atividades físicas e a redução do consumo de álcool e tabaco — até a realização de exames de rotina. Segundo Fabiana Makdissi, líder do Centro de Referência em Tumores da Mama do A.C.Camargo, o diagnóstico precoce depende essencialmente do autoconhecimento do corpo e da mamografia anual a partir dos 40 anos.
A relevância do rastreamento é confirmada pelos resultados clínicos. Dados do Registro Hospitalar de Câncer do próprio hospital, referentes a 2025, indicam que a sobrevida global em cinco anos atinge 96% entre as pacientes diagnosticadas no estádio I da doença, reforçando que a informação é, de fato, uma ferramenta de sobrevivência.