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ONG destina R$ 600 mil para projetos de combate à desigualdade de gênero no Brasil

ONG destina R$ 600 mil para projetos de combate à desigualdade de gênero no Brasil

A busca pela paridade de gênero enfrenta um horizonte temporal desafiador. Segundo o Global Gender Gap Report 2026, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, seriam necessários 120 anos para que homens e mulheres alcancem níveis equivalentes de representatividade e oportunidades, caso o ritmo de progresso atual seja mantido. Diante desse cenário, a Plan International Brasil busca mitigar as disparidades com a segunda edição do fundo “Acelere o Relógio da Igualdade”.

A iniciativa disponibiliza um aporte de R$ 600 mil para financiar projetos em todo o território nacional. O objetivo central é apoiar ações que combatam violações de direitos e promovam a autonomia de meninas, transformando intenções em resultados práticos por meio de viabilidade orçamentária.

Desafios estruturais e vulnerabilidades sociais

Embora o Brasil apresente avanços em setores como educação e saúde, a realidade das meninas ainda é marcada por desigualdades profundas. Flávio Debique, diretor de Programas e Advocacy da Plan Brasil, destaca que a falta de recursos financeiros é um dos principais entraves para que iniciativas locais ganhem escala e impacto real nas comunidades.

Dados do Censo de 2022 evidenciam a urgência do debate, ao apontar que 34,2 mil crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos vivem em união conjugal no país. Desse total, a maioria é composta por meninas, sendo que 69% das jovens nessa condição são pretas ou pardas, colocando o Brasil em uma posição crítica nos índices globais de casamento infantil.

Impactos da gravidez na adolescência

A gravidez precoce é outro fator determinante na interrupção de trajetórias educacionais e profissionais. O livro Nem Cresci e Já Sou Mãe, da jornalista Joyce Ribeiro, lançado com apoio da ONG, detalha como a maternidade antes dos 19 anos atua como um divisor de águas na vida dessas jovens. Conforme dados do IBGE, 7 em cada 10 mães adolescentes são negras, e a maioria encontra-se fora do mercado de trabalho e do sistema educacional.

A pesquisa citada na obra revela que 60% das meninas abandonam os estudos após a maternidade, enquanto o índice entre os meninos que se tornam pais é de 25%. Para a autora, a gravidez na adolescência não deve ser interpretada como uma falha individual, mas como um reflexo direto de vulnerabilidades sociais, raciais e de gênero que limitam o futuro das jovens.

Percepção pública sobre a violência

A violência contra meninas permanece como uma preocupação central na sociedade brasileira. Em um levantamento realizado em setembro de 2025 pelo Instituto QualiBest, com 824 participantes, 87% dos entrevistados associaram o conceito de violência contra o público feminino ao abuso sexual. Destes, 43% apontaram essa modalidade como a mais frequente no país, reforçando a necessidade de políticas públicas robustas e investimentos contínuos em proteção e conscientização.

Para mais informações sobre o cenário de desigualdade no país, acesse o portal oficial da Plan International Brasil.

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