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Entre o ar condicionado da capital e a poeira do campo: os compromissos para a agricultura familiar no RN

Entre o ar condicionado da capital e a poeira do campo: os compromissos para a agricultura familiar no RN

25 de agosto de 2026

Na manhã desta terça-feira, as portas de um hotel em Natal abriram-se para um debate que atravessa a história econômica e social do Rio Grande do Norte: a distância entre as articulações políticas da capital e a dura rotina de quem trabalha a terra no interior.

O foco das atenções no evento esteve sobre o candidato ao governo do estado pelo PT, Cadu de Lula, que compareceu ao encontro promovido pela Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Rio Grande do Norte (Fetarn). O objetivo central foi a entrega formal de um conjunto de diretrizes elaborado pelas bases comunitárias.

A chamada Plataforma da Agricultura Familiar reúne demandas históricas e urgências contemporâneas do setor primário potiguar. Líderes e representantes sindicais de diversas regiões do estado compareceram para garantir que as pautas da categoria fossem ouvidas e registradas oficialmente no plano de campanha do candidato.

Em seu discurso, Cadu de Lula enfatizou que a ampliação da mecanização no campo deve ser o pilar da sua política para o setor, caso seja eleito. O candidato defendeu a substituição gradual de ferramentas manuais, como a enxada, por pequenos tratores e equipamentos modernos adaptados à realidade da pequena propriedade rural.

Outro ponto central debatido no evento foi a infraestrutura hídrica ligada à matriz energética sustentável. Foi apresentada a meta de implantar e ampliar o uso de energia solar em poços artesianos no interior, estabelecendo o objetivo de atingir a marca de 2 mil poços operando sob esse sistema.

Para além das promessas de maquinário e recursos hídricos, a plataforma entregue pela Fetarn incide sobre a sustentabilidade financeira do produtor. O documento destaca a necessidade de inovação no acesso ao crédito rural, propondo a criação de fundos de crediário que garantam autonomia operacional aos pequenos agricultores.

A realização do encontro em um ambiente hoteleiro de Natal evidencia a mecânica tradicional das campanhas eleitorais, na qual promessas e cartas de intenção são chanceladas diante da imprensa. Para as entidades rurais, contudo, o documento entregue funciona como um termo de cobrança futura para o próximo mandato.

O desfecho dessas propostas dependerá do resultado do pleito e da capacidade do poder público em converter termos de compromisso em ação administrativa efetiva. A questão central permanece na transição do papel para o solo: a urgência em transformar discursos políticos em transformações estruturais na vida de quem produz no interior do estado.

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