Proposta apoiada pelo governo Lula entra na pauta desta quarta-feira e ganha destaque na disputa presidencial, após candidato do PL anunciar voto favorável à medida
O Senado Federal analisa nesta quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa apenas um. A votação ocorre em meio à campanha presidencial e ganhou ainda mais repercussão após Flávio Bolsonaro (PL) anunciar apoio à proposta defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A mudança na jornada de trabalho tornou-se uma das principais bandeiras do governo federal nesta reta final do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A avaliação na campanha petista é de que a medida pode ampliar o apoio entre trabalhadores e conquistar eleitores ainda indecisos.
O tema também ganhou importância na disputa pelo voto feminino, segmento considerado estratégico pelas campanhas presidenciais.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53,8 milhões de votos, representando 45,16%.
Até recentemente, o candidato do PL defendia uma alternativa que permitiria a negociação da jornada entre empregados e empregadores. Flávio chegou a classificar a proposta apoiada pelo governo como oportunista e eleitoreira.
Entretanto, nesta terça-feira (13), o senador anunciou que votará favoravelmente ao fim da escala 6×1, embora tenha ressaltado que considera possível construir uma solução diferente.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor”, declarou Flávio Bolsonaro.
A mudança de posicionamento provocou reação do presidente Lula, que relacionou a decisão do adversário à pressão popular e às manifestações realizadas em diferentes regiões do país.
Durante um evento no Palácio do Planalto, Lula comentou a nova posição do candidato do PL e destacou a importância da mobilização dos trabalhadores.
“Me parece que, depois da pressão da sociedade e depois de todas as manifestações nas ruas deste Brasil, o PL decidiu votar o fim da escala 6×1”, afirmou o presidente.
Lula também declarou que continuará defendendo medidas voltadas aos interesses da população trabalhadora, mesmo diante das divergências políticas com a oposição.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ultrapassou o debate trabalhista e passou a ocupar espaço central na corrida presidencial. O assunto envolve mudanças na organização das jornadas, nas relações entre empresas e empregados e na qualidade de vida dos trabalhadores.
A votação prevista para esta quarta-feira deverá mostrar como os parlamentares se posicionam diante de uma proposta que ganhou apoio de representantes dos dois principais grupos políticos em disputa pela Presidência.
Com apenas 11 dias até o segundo turno, o debate sobre a jornada de trabalho se consolida como um dos temas de maior repercussão política e social da reta final da eleição presidencial.