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Flávio Bolsonaro aceita abrir sigilos de 20 anos, mas impõe condições a Lula

Candidato do PL apresenta resposta ao TSE, cobra informações sobre familiares, assessores e gastos da Presidência e classifica proposta do adversário como promessa vazia

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apresentou nesta quarta-feira (21) uma manifestação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmando que aceita abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos. Entretanto, o parlamentar estabeleceu condições para atender ao desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, responsável pela análise da solicitação apresentada anteriormente pelo petista. Na manifestação, Flávio exige que a abertura das informações seja ampliada para alcançar familiares, empresas, assessores e pessoas ligadas ao atual presidente.

A resposta ocorre após Lula protocolar, na terça-feira (20), uma proposta para divulgação de seus próprios dados financeiros e telefônicos, incluindo informações da primeira-dama Janja e de familiares, referentes aos últimos oito anos.

O presidente condicionou a medida à adoção de procedimento semelhante por Flávio Bolsonaro, em um desafio iniciado durante o debate presidencial realizado no domingo (18).

Ao responder, o candidato do PL afirmou estar disposto a disponibilizar informações referentes a um período maior que o proposto pelo adversário.

Além dos dados pessoais, Flávio autorizou a divulgação de informações de quatro empresas das quais é sócio ou administrador. O senador também declarou não se opor à divulgação de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Entre as exigências apresentadas à Justiça Eleitoral estão informações sobre empresas vinculadas aos filhos de Lula, movimentações financeiras do Instituto Lula e registros de pessoas que mantiveram relações profissionais com o presidente.

O parlamentar também solicita a abertura dos sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que atuou como chefe de gabinete da Presidência.

Segundo Flávio, a medida seria necessária porque parte dos contatos telefônicos de Lula teria sido intermediada por assessores próximos.

Outra condição envolve a divulgação de despesas realizadas com cartões corporativos da Presidência da República, além de informações sobre a agenda da primeira-dama e o uso de aeronaves oficiais.

A manifestação também pede esclarecimentos sobre eventuais encontros entre Lula e Daniel Vorcaro, incluindo registros de acesso ao Palácio do Planalto e à residência oficial da Presidência.

Durante um compromisso de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo, Flávio Bolsonaro confirmou publicamente sua posição.

“Não só vou aceitar o desafio como vou levar até as últimas consequências”, declarou o candidato.

Na petição, a defesa do senador classificou a iniciativa apresentada por Lula como uma “promessa vazia”, argumentando que a divulgação apenas dos dados pessoais do presidente não seria suficiente para esclarecer os questionamentos levantados pela campanha adversária.

O documento também contesta a associação de Flávio Bolsonaro à empresa Alcazar Holdings, mencionada em investigações relacionadas ao advogado Willer Tomaz. O senador afirma não ser sócio, administrador ou beneficiário da companhia.

A empresa passou a ser citada após informações de que Flávio apareceria identificado como usuário principal de uma conta bancária vinculada ao empreendimento. A existência dessa referência não comprova participação societária ou irregularidade financeira.

A defesa do candidato do PL solicita que o TSE consulte Lula sobre a aceitação das novas condições. Caso o presidente não concorde, os advogados pedem que a resposta seja registrada no processo.

O confronto sobre a abertura dos sigilos ocorre a quatro dias do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25), e acrescenta um novo capítulo à disputa entre os candidatos.

Apesar das manifestações apresentadas à Justiça Eleitoral, a divulgação dos dados ainda depende da análise dos pedidos e dos procedimentos legais aplicáveis, especialmente quando envolve informações protegidas de familiares e terceiros.

A troca de exigências mantém em evidência o debate sobre transparência financeira e responsabilidade pública, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro seguem com suas agendas de campanha na reta final da eleição.

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