Encontro oficial com dirigentes esportivos foi cancelado após articulação de times paulistas, Flamengo e Cruzeiro; Planalto alega ‘motivo logístico’ enquanto ministros enfrentam cobranças de jornalistas.
BRASÍLIA – O governo federal apresenta, nesta terça-feira (29), um balanço detalhado da força-tarefa voltada a asfixiar a exploração ilegal de apostas de quota fixa no país. A entrevista coletiva ocorre às 15h, no Auditório do Ministério da Justiça. Contudo, o anúncio é severamente esvaziado pelo cancelamento abrupto da reunião que os ministérios do Esporte e da Fazenda realizariam hoje com presidentes das principais equipes nacionais, um recuo provocado por uma articulação de “W.O.” e boicote generalizado dos clubes de futebol.
A versão oficial vs. o boicote dos clubes
A justificativa formal apresentada pelo Ministério do Esporte para desmarcar o fórum de debate cita estritamente questões logísticas e dificuldades com malhas aéreas e voos para o deslocamento dos cartolas.
Nos bastidores da capital, contudo, a realidade apurada aponta para uma revolta generalizada contra a canetada da Medida Provisória assinada na última sexta-feira (25), que proibiu as plataformas sem que as equipes tivessem tempo para planejar a perda de contratos milionários.
O movimento de boicote foi encabeçado por grandes potências do futebol nacional, incluindo Flamengo, os grandes clubes paulistas e o Cruzeiro, que decidiram de forma coordenada não enviar representantes a Brasília. Os dirigentes consideraram a convocação “incoerente” e manifestaram forte descontentamento com o fato de serem chamados para o diálogo somente após a decisão estar consumada, temendo ainda que o encontro, que não contaria com a presença do presidente Lula, fosse amplamente explorado de forma política às vésperas das eleições municipais.
Pressão política na coletiva de imprensa
Sem a mesa de negociação com as agremiações esportivas, o foco político migrou inteiramente para o Auditório do Ministério da Justiça. O principal teste das autoridades — o ministro Wellington César, a secretária Daniele Correa Cardoso (Fazenda) e o secretário Rogério da Veiga (Casa Civil) — será responder aos intensos questionamentos de jornalistas sobre o racha com o futebol.
A imprensa deve cobrar um posicionamento contundente sobre se a pasta do Esporte vai estipular uma nova data para o encontro ou se o canal de diálogo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está paralisado. O governo pretendia oferecer linhas de crédito e refinanciamento de passivos fiscais, mas a ala insatisfeita dos clubes enxerga as propostas como insuficientes diante do rombo financeiro bilionário no mercado de patrocínios. Até o momento da publicação, nenhuma nova agenda com os clubes foi confirmada pelo Executivo.
O cronograma das restrições
Mesmo diante da crise instalada no esporte, as ações de fiscalização avançam de forma célere. Conforme delineado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), empresas de apostas que não se regularizaram perante o governo têm prazo final até o dia 6 de outubro para saírem do ar em definitivo. A partir dessa data, as operadoras clandestinas sofrerão bloqueios técnicos severos executados pela Anatel.
Os cidadãos que possuam saldos e depósitos nessas plataformas irregulares têm o limite estrito do dia 5 de outubro para solicitar o resgate total de seus fundos.