A busca por alternativas menos invasivas para o tratamento de distúrbios neurológicos avançou significativamente com a aplicação do Hifu, uma tecnologia de ultrassom focalizado de alta intensidade. O método oferece uma solução promissora para pacientes com tremor essencial ou doença de Parkinson que não respondem adequadamente às terapias medicamentosas convencionais, como a infusão dopaminérgica, ou que buscam evitar procedimentos cirúrgicos complexos como a estimulação cerebral profunda.
Precisão e eficácia no tratamento do tremor
O procedimento utiliza um capacete equipado com múltiplos emissores de ultrassom, que direcionam feixes sonoros para um ponto específico no cérebro, geralmente o núcleo ventral intermédio do tálamo. A energia sonora eleva a temperatura do tecido-alvo de forma controlada, gerando uma lesão térmica que interrompe o circuito neural responsável pelos tremores. Todo o processo é monitorado em tempo real por meio de ressonância magnética, garantindo segurança e precisão milimétrica durante a intervenção.
Procedimento ágil e sem necessidade de internação
Uma das principais vantagens do Hifu é a agilidade do tratamento, que ocorre em uma única sessão com duração aproximada de duas horas. Por ser um método não invasivo, o paciente não necessita de anestesia geral nem de internação hospitalar prolongada. O alívio dos sintomas é frequentemente observado ainda durante a execução, permitindo que a equipe médica avalie a melhora funcional através de testes simples, como a escrita ou o toque no nariz, enquanto o paciente permanece consciente.
Acesso restrito e critérios de avaliação
No Brasil, a terapia é oferecida exclusivamente pelo Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, onde 34 pacientes foram atendidos nos primeiros 18 meses de operação. O processo de seleção é rigoroso: os candidatos passam por uma avaliação multidisciplinar de uma semana, que inclui exames de imagem como a tomografia para verificar a espessura da calota craniana. O procedimento é realizado em um hemisfério cerebral por vez, com a possibilidade de tratar o lado oposto após um intervalo de 6 a 9 meses.