A morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, em Fortaleza, ganhou novos contornos após a revelação de áudios e mensagens trocadas pela jovem pouco antes de seu falecimento. O material, obtido com exclusividade pelo programa Fantástico, aponta para um cenário de controle psicológico e ameaças que teriam sido exercidas por seu namorado, João Munhoz Neto, que atualmente se encontra preso enquanto as autoridades aprofundam as investigações.
Relatos de medo e comportamento abusivo
Minutos antes de ser encontrada sem vida no prédio onde residia com o companheiro, Isabelle enviou mensagens angustiantes a familiares. Em um dos áudios, a jovem descreveu o relacionamento como insustentável, mencionando ameaças diretas e uma vigilância constante. Ela relatou que não conseguia realizar atividades básicas sem a supervisão de João, que monitorava suas redes sociais e restringia sua liberdade pessoal.
A advogada da família de Isabelle destacou que o comportamento do namorado se tornou mais incisivo após a realização de empréstimos financeiros. Segundo os relatos, ele utilizava o dinheiro como ferramenta de pressão, exigindo localização em tempo real e cobrando lealdade sob o pretexto de ter auxiliado a jovem financeiramente. O dono do escritório de advocacia onde ambos se conheceram corroborou as queixas, afirmando que Isabelle se sentia sufocada profissionalmente pelo gestor.
A dinâmica da noite do ocorrido
As câmeras de segurança do edifício registraram a movimentação do casal no dia 13 de setembro de 2026. Isabelle foi vista pela última vez no elevador às 19h12, subindo em direção à cobertura. A perícia técnica, coordenada por Wellison da Silva Tavares, descartou a hipótese de luta corporal ou queda acidental, concluindo que a morte ocorreu por precipitação voluntária. O impacto, estimado em 130 km/h, ocorreu em uma posição que, segundo os especialistas, não condiz com um empurrão.
Apesar dos laudos periciais, a Polícia Civil mantém o foco na investigação sobre o comportamento de João Munhoz. O homem é acusado de não colaborar com as autoridades, tendo tentado limpar o apartamento e colocar o imóvel à venda logo após o ocorrido. Além disso, a investigação aponta que ele mantinha um relacionamento paralelo, sendo casado com outra mulher, fato que era negado por ele durante o namoro com Isabelle.
Desdobramentos e busca por justiça
O delegado Márcio Gutierrez, responsável pelo caso, reforça que o inquérito analisa mais de 400 mil mensagens e dados de localização para determinar o momento exato em que João tomou conhecimento da queda. A defesa do investigado nega as acusações de abuso psicológico, alegando que o relacionamento era recente e que a jovem possuía autonomia. Enquanto o pedido de habeas corpus é analisado pela justiça, a família de Isabelle clama para que o caso sirva de alerta contra a violência psicológica.
Para mais informações sobre o andamento do caso, acompanhe as atualizações no portal oficial g1.globo.com.