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LULA DIZ QUE “NUNCA FOI ESQUERDISTA” EM ÁUDIO VAZADO E SURPREENDE INTERLOCUTORES

LULA DIZ QUE “NUNCA FOI ESQUERDISTA” EM ÁUDIO VAZADO E SURPREENDE INTERLOCUTORES

18 de junho de 2026

Uma declaração informal capturada pelos microfones da imprensa internacional durante a Cúpula do G7, realizada na França, colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de um intenso debate ideológico. Em um bate-papo descontraído antes do início das reuniões oficiais, o mandatário brasileiro afirmou categoricamente que “nunca foi esquerdista” e defendeu que a política global deve ser guiada pelo “caminho do meio”, surpreendendo até mesmo analistas que acompanham sua trajetória desde o movimento sindical do ABC paulista.


Presidente Lula durante reunião do G7. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O diálogo ocorreu enquanto Lula conversava com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz.

O diálogo no G7 e a tese do “Caminho do Meio”

A conversa começou com uma reflexão de Lula sobre a alternância de poder nas principais potências ocidentais. O presidente brasileiro destacou que, historicamente, partidos conservadores e de direita governaram países como os Estados Unidos e a França por muito mais tempo do que as alas progressistas e socialistas.

A partir desse mapeamento, Lula desenvolveu seu raciocínio:

 O Diagnóstico Global: “O que isso prova? Que o mundo não é de esquerda. O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade”, afirmou o petista, sob risos dos presentes.

 A Interpelação do FMI: Diante da afirmação, a chefe do FMI, Kristalina Georgieva, interveio pontuando que, quando Lula venceu sua primeira eleição presidencial em 2002, o mercado e a comunidade internacional esperavam a cartilha de um líder radical de esquerda, o que acabou não se concretizando na prática de seu governo.

 A Resposta de Lula: O presidente assentiu e disparou: “Eu nunca fui esquerdista”. Ele complementou explicando que sua formação política não tem raízes no marxismo teórico, mas sim no pragmatismo das negociações trabalhistas. “Eu era um dirigente sindical com uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano e com a Espanha”, justificou.

O resgate histórico e o carimbo de “anticomunista”

Para reforçar seu argumento de que sempre transitou fora dos dogmas da esquerda tradicional, Lula relembrou um episódio do início de sua carreira política, na década de 1980. O presidente mencionou que, naquela época, chegou a recusar um convite para participar de um congresso oficial na antiga União Soviética (Rússia), pois estava sob a mira da Lei de Segurança Nacional do regime militar brasileiro.

Segundo o relato do mandatário, ao optar por viajar pela Europa Ocidental em busca de apoio financeiro e solidariedade das democracias sociais para as greves dos metalúrgicos, ele acabou sendo rotulado por alas mais radicais da esquerda da época como um líder “anticomunista”. Em outra frente da conversa, ele se definiu no exercício do poder como um cidadão “multifuncional e multi-ideológico”.

Repercussão política e o pragmatismo eleitoral

A divulgação do áudio dividiu as opiniões no cenário político brasileiro. Para os setores da oposição e críticos do governo, a fala é vista como uma contradição flagrante com o histórico do Partido dos Trabalhadores (PT) e com os discursos internos de Lula, que frequentemente faz acenos à militância de esquerda e a governos socialistas da América Latina. A ala conservadora utilizou o episódio para acusar o presidente de incoerência e de tentar moldar seu discurso conforme o público internacional.

Já os cientistas políticos e aliados do Palácio do Planalto avaliam que a fala reflete a real natureza da governabilidade de Lula, historicamente marcada por coalizões amplas com partidos de centro e políticas econômicas de conciliação. Interlocutores sugerem que a declaração no G7 também funciona como uma estratégia calculada de comunicação de longo prazo, buscando suavizar a imagem do governo junto aos investidores estrangeiros e ao eleitorado moderado de centro no Brasil, especialmente em um ambiente de forte polarização.

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