O meteorito Teghaza 001, encontrado no deserto do Saara, revela que a água já alterava a crosta primitiva de Marte há pelo menos 4,1 bilhões de anos, aponta um estudo publicado na revista Science. A rocha é uma das amostras marcianas mais antigas já identificadas na Terra, tendo se formado durante os primeiros 400 milhões de anos de existência de Marte a partir do magma do manto.
Cristais microscópicos serviram como verdadeira cápsula do tempo geológica. A equipe científica datou grãos de zircão presentes na estrutura da rocha por meio do decaimento radioativo de urânio em chumbo, confirmando uma idade de formação anterior a 4,1 bilhões de anos.
Composição mineral e marcas de fluidos
A composição química preserva marcas definitivas de interação com água líquida. Diferente da maioria dos meteoritos de Marte, o fragmento traz proporções minerais raras que comprovam reações com fluidos hidrotermais em momentos antes de a rocha ser ejetada do planeta.
Oito fragmentos da rocha foram resgatados no Mali. Ao todo, as peças somam peso considerável, sendo o maior bloco com centenas de gramas. O material foi lançado ao espaço pelo impacto violento de um asteroide contra Marte no passado remoto.
Inovação tecnológica na análise mineral
Uma nova técnica de datação a laser encurtou drasticamente a análise laboratorial. Desenvolvido no Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), o método permitiu analisar grãos minúsculos sem dissolver a amostra, reduzindo o tempo de verificação de um mês para apenas um dia.
Pesquisadores rastrearam dezenas de possíveis crateras de origem no solo marciano. O mapeamento comparou os dados minerais do meteorito com registros colhidos em órbita e por veículos robóticos.