Mais de uma semana após a confirmação do primeiro caso de ebola na Nigéria, autoridades de saúde continuam investigando como o vírus chegou ao país mais populoso da África. O caso envolve uma mulher de 42 anos que vivia em Abuja com o marido e permaneceu na capital por 17 dias antes de receber o diagnóstico positivo e ser isolada.
A paciente havia viajado para Uganda e retornado à Nigéria em 3 de outubro. Durante as semanas seguintes, ela procurou atendimento médico em duas clínicas diferentes com sintomas iniciais semelhantes aos da malária, sem passar por testagem imediata para o vírus até o dia 20 de outubro.
Investigação sobre a rota e a propagação do vírus
Cientistas dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças desembarcaram em Abuja para determinar o alcance da possível propagação do vírus durante o intervalo em que a paciente circulou pela cidade. A investigação analisa voos diários e possíveis contatos com dezenas de pessoas que transitaram pela região.
Mais de 50 indivíduos que mantiveram contato direto com a paciente já foram identificados pelas autoridades sanitárias locais e colocados em isolamento preventivo. Nenhum deles apresentou resultado positivo até o momento, mas todos permanecerão monitorados por um período mínimo de 21 dias para conter novos riscos de transmissão.
Panorama regional e medidas de quarentena
O atual surto da doença, associado à cepa Bundibugyo, teve início na República Democrática do Congo, onde a Organização Mundial da Saúde declarou emergência sanitária global. Desde então, a infecção também atingiu territórios em Uganda e no Quênia, gerando milhares de casos e mortes na região central e oriental do continente.
Como resposta ao avanço dos registros, o governo de Uganda determinou quarentena obrigatória para cidadãos procedentes do Congo. Enquanto isso, investigações internacionais avaliam se os pacientes identificados na Nigéria e no Quênia mantiveram algum tipo de ponto de contato ou coincidência de horários ao transitar pelo Aeroporto Internacional de Entebbe.
Ceticismo popular e normalidade nas ruas
Apesar da gravidade do alerta sanitário emitido pelos órgãos oficiais, o cotidiano na capital da Nigéria permanece inalterado, sem imposição de restrições a aglomerações públicas ou eventos políticos planejados para os próximos meses. Especialistas em saúde pública alertam para o risco de subnotificações devido ao tempo em que o caso permaneceu sem diagnóstico.
Entre parte da população local, no entanto, prevalece a desconfiança em relação às informações divulgadas pelas autoridades. Moradores de centros comerciais em Abuja manifestam ceticismo quanto à real gravidade da situação sanitária, associando o anúncio do caso a motivações políticas locais em meio ao calendário eleitoral do país.
Para mais informações sobre o contexto sanitário internacional, acesse a cobertura completa da BBC News Brasil.