Os dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, do IBGE, confirmam um dos maiores desafios estruturais do país: a região Nordeste concentra 57,4% do total de pessoas que não sabem ler nem escrever no Brasil.
Embora o país tenha registrado um marco histórico importante, reduzindo a taxa geral de analfabetismo para o menor nível da série histórica, a distribuição desse indicador revela profundas desigualdades regionais, sociais e geracionais.

Do G1, em São Paulo
Os números do analfabetismo no Brasil
O levantamento do IBGE detalha o cenário da alfabetização no território nacional considerando a população de 15 anos ou mais:
O total nacional: O Brasil tem 8,4 milhões de pessoas analfabetas. Pela primeira vez na história, o índice nacional caiu para menos de 5%, fixando-se em 4,9%.
A concentração no Nordeste: Do total de analfabetos do país, 4,8 milhões vivem na região Nordeste. A taxa de analfabetismo na região é de 10,6%, mais do que o dobro da média nacional.
A comparação com as outras regiões: O abismo entre as taxas regionais fica evidente no ranking divulgado pelo instituto:
Nordeste: 10,6%
Norte: 5,7%
Centro-Oeste: 3,3%
Sul: 2,7%
Sudeste: 2,8%
O fator geracional: A população com 60 anos ou mais concentra 58% dos analfabetos do país. São 4,9 milhões de idosos que não foram alfabetizados na época correta. Quando se exclui o grupo da terceira idade da estatística, a taxa de analfabetismo no Brasil cai para apenas 2,6% entre as pessoas de 15 a 59 anos.
Desigualdade Racial: A taxa de analfabetismo entre a população preta ou parda é de 6,5%, enquanto entre os brancos o índice é de 2,8%. O abismo se acentua na faixa idosa: 20,6% dos idosos pretos ou pardos são analfabetos, contra 7,3% dos idosos brancos.
Destaque de Gênero: Pela primeira vez na série histórica, a taxa de analfabetismo entre as mulheres idosas (13,7%) ficou abaixo da registrada entre os homens da mesma idade (14,1%), mantendo a tendência de que as mulheres, na média geral, passam mais tempo estudando.
O descumprimento da meta do PNE
Apesar das quedas consecutivas nos indicadores ao longo da última década, o Brasil não conseguiu cumprir a meta central do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelecia por lei a erradicação total do analfabetismo até o final de 2024.
Especialistas em educação apontam que, embora estados como Ceará, Pernambuco e Piauí venham conseguindo acelerar a redução de suas taxas locais por meio de forte regime de colaboração com os municípios e foco na alfabetização na idade certa, o país ainda carece de políticas de busca ativa e incentivo focadas especificamente na alfabetização de jovens e adultos (EJA) que já passaram da idade escolar tradicional.