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NORDESTE CONCENTRA MAIS DA METADE DOS ANALFABETOS DO BRASIL, APONTA IBGE

NORDESTE CONCENTRA MAIS DA METADE DOS ANALFABETOS DO BRASIL, APONTA IBGE

19 de junho de 2026

Os dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, do IBGE, confirmam um dos maiores desafios estruturais do país: a região Nordeste concentra 57,4% do total de pessoas que não sabem ler nem escrever no Brasil.

Embora o país tenha registrado um marco histórico importante, reduzindo a taxa geral de analfabetismo para o menor nível da série histórica, a distribuição desse indicador revela profundas desigualdades regionais, sociais e geracionais.


Do G1, em São Paulo

Os números do analfabetismo no Brasil

O levantamento do IBGE detalha o cenário da alfabetização no território nacional considerando a população de 15 anos ou mais:

 O total nacional: O Brasil tem 8,4 milhões de pessoas analfabetas. Pela primeira vez na história, o índice nacional caiu para menos de 5%, fixando-se em 4,9%.

 A concentração no Nordeste: Do total de analfabetos do país, 4,8 milhões vivem na região Nordeste. A taxa de analfabetismo na região é de 10,6%, mais do que o dobro da média nacional.

 A comparação com as outras regiões: O abismo entre as taxas regionais fica evidente no ranking divulgado pelo instituto:

 Nordeste: 10,6%

 Norte: 5,7%

 Centro-Oeste: 3,3%

 Sul: 2,7%

 Sudeste: 2,8%

O fator geracional: A população com 60 anos ou mais concentra 58% dos analfabetos do país. São 4,9 milhões de idosos que não foram alfabetizados na época correta. Quando se exclui o grupo da terceira idade da estatística, a taxa de analfabetismo no Brasil cai para apenas 2,6% entre as pessoas de 15 a 59 anos.

Desigualdade Racial: A taxa de analfabetismo entre a população preta ou parda é de 6,5%, enquanto entre os brancos o índice é de 2,8%. O abismo se acentua na faixa idosa: 20,6% dos idosos pretos ou pardos são analfabetos, contra 7,3% dos idosos brancos.

 Destaque de Gênero: Pela primeira vez na série histórica, a taxa de analfabetismo entre as mulheres idosas (13,7%) ficou abaixo da registrada entre os homens da mesma idade (14,1%), mantendo a tendência de que as mulheres, na média geral, passam mais tempo estudando.

O descumprimento da meta do PNE

Apesar das quedas consecutivas nos indicadores ao longo da última década, o Brasil não conseguiu cumprir a meta central do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelecia por lei a erradicação total do analfabetismo até o final de 2024.

Especialistas em educação apontam que, embora estados como Ceará, Pernambuco e Piauí venham conseguindo acelerar a redução de suas taxas locais por meio de forte regime de colaboração com os municípios e foco na alfabetização na idade certa, o país ainda carece de políticas de busca ativa e incentivo focadas especificamente na alfabetização de jovens e adultos (EJA) que já passaram da idade escolar tradicional.

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