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OMS veta uso de medicamentos e cirurgias para obesidade em crianças menores de 10 anos

OMS veta uso de medicamentos e cirurgias para obesidade em crianças menores de 10 anos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu novas diretrizes que restringem drasticamente o tratamento da obesidade em crianças com menos de 10 anos. Em um guia inédito divulgado recentemente, o órgão internacional determinou que menores nessa faixa etária não devem ser submetidos a intervenções farmacológicas, como as chamadas canetas emagrecedoras, nem a procedimentos cirúrgicos bariátricos. A recomendação prioriza abordagens focadas em mudanças de estilo de vida e suporte comportamental.

Foco em hábitos saudáveis e suporte comportamental

Para a OMS, o combate ao excesso de peso na infância deve ser estruturado em três pilares fundamentais: alimentação saudável, prática regular de atividade física e acompanhamento psicológico. A organização destaca que o tratamento não deve depender de soluções rápidas, como medicamentos, mas sim de um suporte abrangente que promova mudanças sustentáveis no cotidiano da criança.

O guia sugere, inclusive, a integração de tecnologias digitais no processo terapêutico. Jogos online que incentivem o movimento e ferramentas de monitoramento de exercícios físicos são apontados como aliados eficazes para engajar o público infantil em uma rotina mais ativa e menos sedentária.

Critérios para adolescentes e restrições clínicas

Embora a proibição seja rigorosa para crianças menores de 10 anos, o documento abre margem para o uso de medicamentos em adolescentes de 10 a 19 anos, mas sob condições estritas. O uso de fármacos só deve ser considerado após a falha de intervenções supervisionadas anteriores. Da mesma forma, a cirurgia bariátrica é reservada apenas para casos de obesidade grave em adolescentes que possuam maturidade física e mental, após seis meses de tratamento sem resultados satisfatórios.

A diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, Luz María De Regil, reforçou que, para o grupo abaixo de 10 anos, não existem evidências científicas suficientes que sustentem a segurança e a eficácia de medicamentos da classe GLP-1, como o Ozempic e o Mounjaro. A entidade enfatiza que o bem-estar emocional é um componente crítico, visto que o estigma e o bullying podem agravar o ciclo de isolamento e hábitos alimentares inadequados.

Riscos e o cenário da obesidade global

A preocupação da OMS reflete uma mudança epidemiológica global, onde a obesidade superou o baixo peso como o principal desafio nutricional em idade escolar. Dados do Unicef indicam que a incidência da doença nessa faixa etária quadruplicou desde 1990, atingindo 170 milhões de crianças e adolescentes em 2024. No Brasil, o cenário também é de alerta, com índices expressivos de excesso de peso registrados em crianças pelo Ministério da Saúde.

Entidades como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) corroboram o posicionamento da OMS, alertando para os perigos do uso indiscriminado de medicamentos. Entre os riscos citados estão o déficit de crescimento, desidratação, pancreatite aguda e problemas na vesícula. Além disso, a SBP adverte que o uso estético desses fármacos pode atuar como gatilho para o desenvolvimento de transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de quadros de ansiedade e depressão.

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