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Pacientes com dengue chegam às Utis do SUS em condições mais críticas que na rede privada

Pacientes com dengue chegam às Utis do SUS em condições mais críticas que na rede privada

Um estudo recente aponta disparidades significativas no perfil de gravidade dos pacientes com dengue que necessitam de terapia intensiva no Brasil. Dados publicados no Journal of Critical Care revelam que indivíduos internados em unidades do SUS apresentam quadros clínicos mais severos logo na admissão, quando comparados aos pacientes atendidos na rede privada de saúde.

A pesquisa, conduzida por especialistas do Einstein Hospital Israelita e do IDOR, analisou internações ocorridas entre 2015 e 2024. Os resultados indicam que, enquanto na rede privada apenas 4% dos pacientes necessitaram de intubação nas primeiras 24 horas, esse índice saltou para 20% no sistema público, evidenciando uma diferença expressiva na estabilidade clínica dos enfermos ao chegarem ao hospital.

Diferenças no perfil clínico e acesso ao atendimento

A análise comparativa utilizou o registro UTIs Brasileiras e dados do Datasus. No primeiro grupo, foram contabilizadas 32.016 internações, com uma mortalidade de 8,1%. Já nos dados do Datasus, que abrange 1.610 hospitais vinculados ao sistema público, a taxa de óbitos atingiu 18,6%. Os pesquisadores ressaltam que os pacientes do setor público, embora apresentem uma idade mediana inferior (50 anos contra 54 anos na rede privada), chegam às unidades com sinais mais avançados de falência orgânica.

O cardiologista Henrique Fonseca, coautor do estudo, aponta que o fluxo de atendimento pode ser um fator determinante. Pacientes da rede privada frequentemente acessam prontos-socorros diretamente, enquanto usuários do SUS costumam passar por UBS e UPA antes da internação hospitalar. Esse percurso, somado à espera pela regulação de vagas, pode retardar o início do tratamento intensivo adequado.

Impacto da falência orgânica e choque circulatório

O estudo detalha que, nas primeiras 24 horas de UTI, 22,4% dos pacientes da rede pública necessitaram de medicamentos vasopressores para sustentar a pressão arterial, comparado a apenas 5,3% na rede privada. A necessidade de hemodiálise também foi mais frequente no sistema público, atingindo 4,7% dos casos, enquanto na rede privada o índice foi de 1,3%.

O uso de vasopressores é um marcador crítico, pois indica a presença de choque circulatório, condição em que o fluxo sanguíneo é insuficiente para suprir os órgãos vitais. De acordo com o intensivista Luciano Azevedo, a escassez de vagas e o tempo de espera fora do ambiente de terapia intensiva são variáveis que impactam diretamente o desfecho clínico dos pacientes.

Vulnerabilidade e risco de mortalidade

A mortalidade hospitalar demonstrou uma correlação direta com a idade e a gravidade do quadro clínico. No registro UTIs Brasileiras, o risco de óbito foi de 3,5% para menores de 40 anos, subindo para 14,4% entre os maiores de 65 anos. No Datasus, a disparidade foi ainda mais acentuada, com taxas de 10%, 18% e 30% nas respectivas faixas etárias.

Para mais detalhes sobre as diretrizes de tratamento e monitoramento, consulte as informações oficiais disponíveis em Ministério da Saúde. A análise reforça a necessidade de estratégias que agilizem o encaminhamento de pacientes graves para o suporte intensivo, visando reduzir as taxas de mortalidade associadas às complicações da dengue.

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