O clima nos bastidores do futebol carioca explodiu de vez na manhã desta quarta-feira (14). Pouco após o Consórcio Fla-Flu recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar barrar o jogo entre Vasco e Boca Juniors no Maracanã, o presidente cruz-maltino, Pedrinho, quebrou o silêncio. Em fortes declarações dadas ainda no ônibus da delegação, o mandatário atacou a postura do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), expôs a crise de relação entre as diretorias e classificou o imbróglio como uma “briga de caneta”.
Pedrinho expõe racha com Bap e questiona Consórcio
Pedrinho revelou ter sido pego de surpresa com a nova investida jurídica de Flamengo e Fluminense em Brasília. O dirigente reforçou que a solicitação do estádio foi feita estritamente por necessidade regulamentar, uma vez que São Januário não atende às exigências da fase final do torneio continental.
“Eu só pedi para jogar no Maracanã porque eu não posso jogar em São Januário. Aí eu solicito o Maracanã ao Consórcio com antecedência. Muitas vezes, o presidente do Flamengo (Bap) diz que não reconhece o contrato, sendo que foi assinado pela dupla Fla-Flu. Hoje, essa discussão — e eu assumo esse problema de relação mesmo, apesar de nunca ter tido um conflito direto com o presidente do Flamengo — virou uma coisa menos técnica e muito mais para ver quem tem a caneta mais pesada. Isso é um prejuízo, porque eu não estou fazendo força para ganhar, para dizer que eu sou poderoso. Zero. É porque eu preciso jogar”, disparou Pedrinho.
Risco de transferir jogo para o Paraguai é chamado de “Covardia”
O grande estopim para a revolta do mandatário vascaíno é o relatório da Conmebol. A entidade sul-americana já notificou a CBF de que não tolerará adiamentos causados pela instabilidade jurídica local. Caso o STJ derrube a liberação do Maracanã de última hora, o confronto de volta será transferido imediatamente para o Paraguai.
Para Pedrinho, punir o clube e os torcedores — que já esgotaram todos os mais de 46 mil ingressos postos à venda — por conta da oposição dos rivais é um ato inadmissível.
“Existe esse relatório da Conmebol, que poderia tirar o jogo do Brasil e levar para o Paraguai. Eu acho que é uma COVARDIA com a instituição e com a competição se isso acontecer”, desabafou.
Vasco ameaça romper com a Conmebol caso o mando seja retirado
O presidente cruz-maltino foi além e mandou um recado direto para a própria confederação sul-americana. Caso o clube seja obrigado a viajar para Assunção devido à pressão do Consórcio Fla-Flu no STJ, a diretoria promete um posicionamento histórico e drástico contra os critérios da entidade.
“Se o jogo for para o Paraguai, eu acho que vai ter que haver um POSICIONAMENTO MUITO GRANDE da minha parte, com relação à instituição Club de Regatas Vasco da Gama, diretamente com a Conmebol. Para mim, seria uma reavaliação do que é a Sul-Americana”, garantiu o dirigente.
O caso agora está sob análise do mérito com o presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, enquanto o Vasco se blinda para tentar confirmar a vaga na finalíssima, após vencer o duelo de ida na Bombonera por 1 a 0. O jogo de volta está agendado para o dia 20 de outubro.