A Polícia Federal (PF) deflagrou a terceira fase da Operação Rent a Car (desdobramento da Operação Galho Fraco), cumprindo mandados de busca e apreensão em endereços do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. Durante as buscas na residência de um dos alvos um advogado ligado diretamente ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), atual líder do partido na Câmara dos Deputados, os agentes federais flagraram maços de dinheiro vivo escondidos no interior de uma réplica falsa de um livro de Direito.

Foto: Divulgação/PF
As medidas judiciais desta nova fase foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e miram exclusivamente um grupo de advogados.
O foco da nova fase: Fraude processual e contratos simulados
O objetivo principal desta etapa da investigação é coletar e preservar elementos de prova sobre uma suposta engenharia jurídica utilizada para mascarar a origem de recursos financeiros. A PF suspeita da prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e, em especial, fraude processual.
A investigação aponta que, após fases anteriores que atingiram o núcleo político, operadores e advogados teriam tentado obstruir os trabalhos da Justiça. Os investigadores identificaram indícios de que o grupo teria elaborado contratos de compra e venda imobiliária fictícios ou simulados e realizado saques estruturados para dar aparência de legalidade à circulação de dinheiro em espécie de origem pública e parlamentar.
Histórico: Os desdobramentos do caso Sóstenes Cavalcante
O deputado Sóstenes Cavalcante não foi alvo de buscas ou mandados na operação realizada nesta manhã. Contudo, a ação atual é um desdobramento direto da apuração iniciada contra o parlamentar no final do ano passado.
A Primeira Apreensão: Em dezembro de 2025, na fase inicial da Operação Galho Fraco, a Polícia Federal realizou buscas no apartamento de Sóstenes e apreendeu cerca de R$ 460 mil em dinheiro vivo.
A Justificativa sob Suspeita: Na ocasião, o parlamentar alegou publicamente que os valores eram de origem totalmente lícita, frutos da venda de um imóvel de sua propriedade. No entanto, o avanço das perícias contábeis e quebras de sigilo da PF levantou suspeitas de que o contrato apresentado para justificar o montante era retroativo e ideologicamente falso.
Próximos passos e manifestação da defesa
O dinheiro encontrado escondido no livro falso foi apreendido e levado à sede da Polícia Federal para contagem oficial e depósito em conta judicial. O material digital e os documentos recolhidos na residência dos advogados investigados passarão por perícia técnica.
Em rápidas declarações à imprensa, o deputado Sóstenes Cavalcante afirmou que prefere não comentar detalhes da operação até que seus advogados tenham acesso integral ao teor da decisão do ministro Flávio Dino. A defesa dos profissionais envolvidos na busca e apreensão desta manhã reiterou que todos os atos profissionais dos advogados seguiram os parâmetros da legalidade e que as justificativas técnicas sobre os valores em espécie serão apresentadas formalmente nos autos do inquérito.