Há mais de duas décadas, a franquia Resident Evil tentou com resultados irregulares traduzir a tensão claustrofóbica e o horror biológico dos jogos da Capcom para as telas, depois da saga de ação com Milla Jovovich e do reboot de 2021, Welcome to Raccoon City, poucos acreditavam que ainda fosse possível surpreender, até Zach Cregger (Barbarian, Weapons) assumir o comando.
O resultado, lançado em 18 de setembro de 2026, é um filme de 95 minutos que funciona como uma corrida desesperada pela sobrevivência: tenso, sangrento, inteligente e, acima de tudo, fiel ao espírito dos jogos clássicos sem ser uma adaptação literal.
Bryan (Austin Abrams), um mensageiro médico comum, aceita uma entrega noturna de órgãos em Raccoon City, o que começa como um trabalho rotineiro se transforma em pesadelo quando o vírus T escapa e a cidade colapsa em caos, em uma única e horrível noite, Bryan precisa atravessar ruas tomadas por infectados, prédios em chamas e criaturas zumbis e mutantes para entregar sua carga e, principalmente, sair vivo, sem heróis militares ou agentes especiais, apenas um homem comum preso no meio do apocalipse zumbi.

Cregger e o co-roteirista Shay Hatten optaram por uma história original ambientada na periferia dos eventos de Resident Evil 2, não há Leon, Claire ou Jill, o foco recai sobre a experiência de estar “dentro” de um jogo de horror de sobrevivência: recursos limitados, decisões desesperadas, saltos de susto genuínos e um senso constante de vulnerabilidade.

O ritmo é quase sem pausas, a violência é gráfica, o gore é abundante e a classificação 18 anos não é marketing: o filme entrega o que promete.
Austin Abrams carrega o longa com uma performance que equilibra pânico genuíno, humor e determinação, seu Bryan não é um herói invencível; é alguém que grita, erra, improvisa e, ainda assim, continua andando, o elenco de apoio Zach Cherry, Kali Reis e Paul Walter Hauser aparece em doses certeiras, sem roubar a proeminência do protagonista, mas enriquecendo o caos urbano, a produção, envolvendo Columbia Pictures, Constantin Film e PlayStation Productions, acertou ao deixar Cregger livre para reimaginar a franquia em vez de apenas repetir fórmulas.

O filme já se tornou um dos mais bem avaliados adaptações de videogame da história em agregadores como Rotten Tomatoes, com críticos elogiando a capacidade de Cregger de transformar a linguagem dos jogos em cinema puro, em pouco mais de uma hora e meia, ele entrega sustos memoráveis, tensão constante e um tributo sincero ao prazer (e ao terror) de sobreviver a uma noite em Raccoon City.

Nota: 4.5 / 5
Um reboot que resgata a essência do survival horror com inteligência, adrenalina e sangue, quem ama os jogos clássicos e quem busca um filme de terror bem feito sai satisfeito.