A saúde mental consolidou-se como a principal preocupação dos brasileiros no que diz respeito ao bem-estar geral. De acordo com o Monitor da Saúde 2026, realizado pela Ipsos Brasil, 58% da população aponta o tema como o problema de saúde mais relevante no país. O dado representa um crescimento de seis pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, realizado em 2025, quando o índice era de 52%.
Cenário da saúde mental no Brasil e no mundo
A percepção brasileira coloca o país em um patamar elevado, superando a média global de 48%. O Brasil divide o índice de 58% com países como Alemanha e Colômbia, ficando atrás do Chile, que lidera o ranking com 75%, e da Suécia, com 70%. Desde 2023, a saúde mental ocupa o topo da lista de preocupações globais da Ipsos, superando enfermidades historicamente temidas, como o câncer.
O levantamento foi conduzido entre 13 de julho e 7 de agosto de 2026, ouvindo 22.528 adultos em 32 países. No Brasil, a amostra contou com aproximadamente mil participantes. Além da saúde mental, os brasileiros destacaram outras preocupações, como estresse (29%), abuso de drogas (27%), obesidade (25%), abuso de álcool (18%), diabetes (17%) e doenças cardíacas (15%).
Impactos do estresse na rotina e no trabalho
O estresse é um dos principais motores dessa percepção negativa. Globalmente, 64% dos entrevistados afirmaram que o estresse afetou sua rotina ao menos uma vez nos últimos 12 meses. A gravidade dos sintomas é notável: 61% relataram episódios de estresse tão intensos que se sentiram incapazes de lidar com a situação, enquanto 54% mencionaram sentimentos de tristeza ou desesperança persistentes.
Os reflexos práticos dessas condições atingem a esfera profissional e social. Cerca de 16% dos entrevistados globais precisaram se afastar do trabalho ou dos estudos para cuidar da saúde mental. Além disso, 17% relataram ter evitado encontros sociais ou familiares devido ao impacto emocional, evidenciando o isolamento como uma das consequências diretas do quadro atual.
Diferenças de gênero e necessidade de prevenção
A pesquisa revela uma disparidade significativa na percepção do problema entre os gêneros no Brasil. Enquanto 68% das mulheres apontam a saúde mental como uma das principais preocupações, o índice entre os homens é de 47%, uma diferença de 21 pontos percentuais. Esse dado reforça a necessidade de abordagens distintas para o acolhimento e tratamento da população.
Para Adriana Ghobril, líder de Pesquisas de Saúde da Ipsos Brasil, os números indicam que o desafio ultrapassa a capacidade dos serviços de saúde tradicionais. A especialista defende que o foco deve ser ampliado, integrando ações de prevenção e cuidado contínuo ao cotidiano dos cidadãos. O relatório completo pode ser consultado na plataforma Ipsos.