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“SUPER HERÓI AMERICANO”Sem Manual de Instruções: Os 45 anos do herói mais atrapalhado da TV

Se você acha que a vida de super-herói moderna é difícil por causa do “multiverso”, tente lembrar da saga de Ralph Hinkley, em 1981, o criador Stephen J. Cannell entregava ao mundo The Greatest American Hero (no Brasil, Super-Herói Americano), uma comédia sci-fi sobre um professor de história comum que recebe de alienígenas um traje vermelho dotado de superpoderes incríveis, o problema? Ele perdeu o manual de instruções.  

Ao longo de 45 anos de existência, a saga do homem que voava batendo de cara em paredes e muros virou um clássico Cult absoluto do humor pop.

O JEITO “CHAVES” DO HERÓI NO BRASIL.

Quando aportou em terras brasileiras nos anos 1980 na tela do SBT (então TVS), a série virou febre instantânea por um detalhe em especial: a dublagem.

O protagonista Ralph Hinkley (vivido por William Katt) ganhou a voz inconfundível de Marcelo Gastaldi, o lendário dublador do Chaves no Brasil, a escolha não poderia ter sido mais certeira! Gastaldi imprimiu ao herói aquele tom de desespero simpático, azarado e genuíno que o público brasileiro já amava.  

Entre idas e vindas de horário, maratonas nos fins de semana e a marcante música de abertura (“Believe It or Not”, cantada por Joey Scarbury, que chegou ao topo das paradas da Billboard na época), o traje vermelho se fixou no imaginário de toda uma geração.

MALDIÇÕES E FATOS CURIOSOS SOBRE O TRAJE VERMELHO

A produção acumulou curiosidades dignas de um roteiro à parte:

 -Inimigos na Vida Real: A Warner Bros. (dona dos direitos do Superman) tentou processar a produção alegando que o traje e a capacidade de voar eram um plágio explícito do Homem de Aço, a justiça americana deu ganho de causa para os criadores por se tratar de uma paródia descarada.

-O Sobrenome Proibido: Na primeira temporada, o personagem principal quase precisou mudar de nome, em 1981, um homem chamado John Hinckley Jr. tentou assassinar o então presidente americano Ronald Reagan, para evitar tretas ou associações negativas, o estúdio fez o herói ser chamado temporariamente de “Ralph Hanley” em alguns episódios.  

O REBOOT DESAPARECIDO (E A BUSCA PELO RETORNO)

Tentativas de trazer a franquia de volta viraram um “folclore” em Hollywood. A mais famosa aconteceu em 2018, quando o canal americano ABC encomendou um episódio piloto para um reboot. 

A nova versão traria Hannah Simone (a Cece da comédia New Girl) como Meera, uma jovem descendente de indianos que ganharia o terno espacial e tentaria salvar o mundo sem a menor aptidão para isso, o projeto foi gravado, gerou enorme expectativa por tentar quebrar estereótipos, mas a emissora engavetou o programa antes mesmo de ir ao ar.  

Mesmo com os tropeços de Hollywood, os fãs continuam pedindo um retorno nas plataformas de streaming, afinal, em uma época saturada de heróis perfeitos, sérios e impecáveis, o mundo nunca precisou tanto de alguém que não faz a menor ideia do que está fazendo e que, de preferência, continue esquecendo onde deixou o manual.

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