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Toy Story 5 confronta o apego analógico com a solidão das telas.

Toy Story 5 confronta o apego analógico com a solidão das telas.

20 de junho de 2026

Trinta e um anos após revolucionar a história do cinema de animação, a franquia mais valiosa da Pixar ganha mais um capítulo que muitos julgavam desnecessário, após o desfecho agridoce de Toy Story 4 (2019), que parecia ter dado um fechamento definitivo à jornada de Woody, Toy Story 5 chega aos cinemas com a difícil missão de provar que ainda tem pilhas novas para gastar.

Felizmente, o diretor Andrew Stanton encontra relevância não ao repetir fórmulas passadas, mas ao colocar seus protagonistas de plástico diante do maior vilão da infância moderna: as telas dos algoritmos.

Desta vez, o foco central sai um pouco dos ombros de Woody (Tom Hanks) que retorna de suas andanças após um chamado de emergência e se concentra em Jessie (Joan Cusack) e no resto da gangue que hoje pertence à garota Bonnie, agora com 8 anos, o conflito principal se estabelece com a chegada de Lilypad (Greta Lee), um tablet de última geração que passa a ditar as interações sociais de Bonnie, inserindo-a em um ambiente de chats de dança e pressões virtuais que a afastam do lúdico mundo dos brinquedos físicos.

O grande acerto do roteiro é humanizar o “inimigo”, Lilypad não é um vilão cruel como o urso Lotso de Toy Story 3, ela é apenas um reflexo do seu tempo, agindo pelo que acredita ser o melhor para sua dona, essa ausência de um antagonista puramente mau dá espaço para um debate muito atual sobre o vício em telas, o isolamento precoce e as dificuldades de conexão real na infância.

Enquanto Buzz Lightyear (Tim Allen) e Woody tentam proteger o quarto de Bonnie da influência digital, o filme ganha suas camadas mais profundas na subtrama de Jessie, em uma das sequências mais emocionantes do longa, a vaqueira esbarra em vestígios de seu passado e na dolorosa lembrança de Emily, sua antiga dona.

É através dessa melancolia que o filme discute o desapego e o amadurecimento, entregando aquela tradicional dose de lágrimas que a Pixar sabe extrair como ninguém, a infância mudou, e o verdadeiro desafio dos brinquedos já não é não serem esquecidos no fundo do baú, mas competir com o brilho hipnótico de um display de retina.

Visualmente, o filme é um deslumbre, o contraste entre as texturas nostálgicas e gastas dos brinquedos clássicos com o design minimalista e estéril dos novos aparatos tecnológicos cria um embate estético fascinante, destaque também para as novas adições ao elenco, como o hilário Smarty Pants (Conan O’Brien), um brinquedo tecnológico obsoleto de treinamento sanitário que rouba as cenas em que aparece.

Apesar das qualidades e de um clímax movimentado que envolve até um exército de drones do Buzz Lightyear , Toy Story 5 não escapa totalmente do fantasma da exaustão criativa, em alguns momentos, a sensação de “déjà vu” é inevitável, e certas reviravoltas parecem convenientes demais para forçar a comoção do público adulto.

Vale o ingresso? Sim! Toy Story 5 pode não ter o frescor do original de 1995 ou o impacto existencial do terceiro filme, mas entrega uma narrativa sólida, madura e extremamente necessária para os pais e crianças de 2026.

É um lembrete afetuoso de que, independentemente da tecnologia que venha a surgir, nada substitui o valor de uma amizade real e o toque de uma mão que imagina mundos inteiros no chão do quarto.

Nota 4/5

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